segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Sem pedidos de desculpas: os Bolsonaro querem mesmo a ditadura

O repórter Carlos Andreazza, neto do ex-ministro Coronel Mário Andreazza, um dos ícones da ditadura militar, educou-se e, longe de ser um homem de esquerda, é, pelo menos um liberal. Ele diz: A fala de Eduardo Bolsonaro, trecho de uma entrevista à jornalista Leda Nagle que ora repercute, é muito mais interessante, representativa, em seu conjunto. Sim, eu vi. Na íntegra. É o que chamo de dever de desafio profissional. Fosse apenas o moleque mimado, em cuja cabeça vai um Ustra de estupidez e ignorância, ninguém veria; ninguém, aliás, votaria. Mas é filho de Jair Bolsonaro; do que extrai existência e poder. Tive de ver. Contextualizemos. Por volta do vigésimo minuto, a entrevistadora fala em distúrbios na América Latina, menciona a crise chilena e, nesse pacote de conflagrações, situa até a eleição, democrática, diga-se, na Argentina. Carlos Andreazza lembra vários outros depoimentos dos Bolsonaro defendendo propostas autoritárias. Bernardo Mello Franco também comenta e lembra fatos importantes que provam não ser essa declaração de agora, algo isolado: a família Bolsonaro tem método. Enquanto o pai insufla seguidores contra as instituições, os filhos fazem ameaças explícitas à democracia. Quinta-feira (31), o deputado Eduardo Bolsonaro sugeriu a edição de um “novo AI-5”. Apontado como o futuro chefe do clã, ele já havia ameaçado enviar “um soldado e um cabo” para fechar o Supremo. O AI-5 original foi editado pela ditadura militar em 1968. Suspendeu direitos individuais, instituiu a censura prévia e autorizou o presidente a fechar o Congresso. O ato deu sinal verde para a tortura e a morte de opositores. Significou o endurecimento do regime, cultuado até hoje pelo inquilino do Planalto. Na época, os militares alegavam que era preciso combater “processos subversivos” e “fatores perturbadores da ordem”. A Guerra Fria acabou, mas Bolsonaro busca o mesmo pretexto ao estimular teorias conspiratórias e insinuar que “inimigos internos” não o deixam governar. Na entrevista a Leda Nagle, que já apresentou um programa chamado “Sem Censura”, Eduardo alegou o risco de uma radicalização de esquerda. Mas quem radicaliza no país é a extrema direita, que chegou ao poder pelas urnas sob a liderança do capitão. A nova polêmica segue um roteiro conhecido. Em setembro, o vereador Carlos Bolsonaro já havia escrito que a “transformação que o Brasil quer” não aconteceria por “vias democráticas”. O comportamento da família mostra uma divisão de tarefas, em que os filhos se revezam no papel de incendiários. Quando a provocação repercute mal, o pai se fantasia de bombeiro e finge adverti-los. A cada afronta, o clã testa a resistência da democracia e prepara o próximo avanço. É uma estratégia de aproximações sucessivas, como prescrevem os manuais militares. Os Bolsonaro estão unidos no mesmo projeto autoritário, que busca remover limites ao poder do Executivo. O jogo pode parecer confuso, mas é combinado. Sexta-feira (1°), o presidente disse ter lamentado as declarações do Zero Três a favor do AI-5. Quando o ato ditatorial fez 40 anos, ele, o pai, subiu à tribuna da Câmara para louvá-lo.

Quem com golpe fere...
O problema dos Bolsonaro é que os sonhos autoritários não estão só em suas cabeças obnubiladas. Tem muito mais gente pensando em golpe. E é contra eles. E é o povo que chegou ao Planalto com eles, inclusive militares, que querem permanecer no poder e que tem nos calcanhares do capitão Jair um militar de alta patente, mesmo que seja da reserva, mas que está estrategicamente colocado na linha de sucessão, como Michel Temer estava na linha de sucessão de Dilma e que acabou na cadeira dela, tudo com aparência de legalidade. E ainda tem a bater nas paredes da memória a frase de Cristo: quem com ferro fere, com ferro será ferido...

Vergonha de Moro
Por Fernando Brito, editor do Tijolaço: “É estrondoso o silêncio de Sergio Moro sobre a declaração do filho presidencial de que poderia haver uma volta do AI-5 se houvesse radicalização política no Brasil.”

Operação abafa
A grande força-tarefa que foi montada para abafar a declaração do vigia do condomínio onde mora Bolsonaro não está conseguindo provar que o vigia mentiu. O argumento mais forte é o de Luís Nassif, lembrando que o condomínio não tem PABX e que as ligações da guarita onde fica o vigia são feitas para os celulares dos moradores e celular pode se atender no Rio ou em Brasília. Ou na Cochinchina.

Foto-legenda

Assim pensam os bolsominions. Inclusive, os que vivem com a Bíblia na mão e o ódio no peito. Vivem da narrativa que se faz sobre Jesus ao longo dos séculos, mas se tivessem vivido quando Ele foi crucificado, lá teriam estado entre os que escolheram Barrabás naquele BBB histórico...

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