sábado, 10 de maio de 2014

Sheherazade é, sim, criminosa por incitar a barbárie

O  Brasil assiste ao terceiro capítulo da novela da morte. Auxiliares de pedreiros e de pintores de paredes, mocinhas e rapazotes, com certeza, estudantes, quase sempre pessoas pacíficas, do bem, mas assustadas com a violência e a impunidade que impera nos mais diversos recantos do País, se tornaram assassinos “quentes” de uma dona de casa que vinha da igreja e que tinha duas filhinhas de um e de doze anos que agora estão órfãs porque a mãe foi linchada. O segundo capítulo da novela, foi o linchamento com direito a filmagem do espancamento coletivo, das pauladas que a levaram a um estado irrecuperável que redundou em morte e, quem sabe, talvez até uma frase de quem estava registrando tudo num celular: “Sorriam, vocês estão sendo filmados”. O quarto capítulo está rolando pelo Brasil afora, pois já são 188 linchamentos desde que uma apresentadora de TV defendeu a prática quando um adolescente foi preso e amarrado nu em um poste pela prática de descuidos no Rio de Janeiro. Até por ciúmes, uma menina foi assassinada a pedradas por mocinhas do seu tope, que em plena delegacia ameaçaram pegar “o neguinho” que as estava denunciando. O quinto capítulo pode ser a transformação destes atos numa onda da turba enfurecida. Ainda bem que a polícia está agindo e já evitou. Tem de reforçar mesmo a vigilância porque ao não frear esses ímpetos de fúria provocados pela psicologia de massas, que levou a Alemanha ao Nazismo, a Espanha ao Franquismo, Portugal ao Salazarismo e a Itália ao fascismo. Podem revisitar o filme “Ladrão de Bicicletas”, de Vittorio De Sica, que tive a honra de assistir no velho Pax quando a estudantada inventou um cinema de arte em Mossoró. Olhando com profundidade sociológica podemos entender que os algozes não são inocentes, porque cometeram um crime bárbaro, mas mesmo não merecendo perdão, podemos concluir, como Cristo, que eles não sabem o que fazem. Premidos, como sanduíches por dois tipos de banditismo, o do crime organizado e o do terrorismo midiático, estão assustados e propensos a fazer “justiça” com as próprias mãos. O problema maior é o primeiro capítulo. Ele se dá no ambiente próprio dos capítulos de novelas. A televisão e o rádio, nasce na ignorância e na mentalidade reacionária de comunicadores despreparados e grosseiros que querem conduzir os fatos, em vez de cumprirem o papel de noticiá-los. É nesse contexto que uma mulher inconsequente, despreparada e irresponsável como Raquel Sheherazade usa um espaço midiático, concedido pelo poder público, cuja missão é por excelência cumprir um papel civilizatório e estimula o assassinato coletivo, sem julgamento e sem, sequer os trâmites processuais e a inteligência investigatória e o direito de defesa. É assim que mata uma mãe de família inocente, inclusive usando menores como se assistissem a uma aula a céu aberto. E o inferno se abate sobre a nação. E ainda tem quem defenda uma comunicadora cretina e criminosa, pois que incitação ao crime, é crime dos mais graves.

Ministérios
Aécio Neves, cinicamente promete acabar com metade dos 39 ministérios “dos petistas”, esquecendo de esclarecer que entre os oito ministérios de Deodoro e os 39 de Dilma Rousseff, João Figueiredo tinha 16 e Tancredo Neves, seu avô aumentou para 23. Sarney, que era seu aliado aumentou os 23 de Tancredo para 31 e Aécio que era da base não disse nada. Seu padrinho político, Fernando Henrique Cardoso criou mais três deixou em 34.  24 são ministérios, dez são secretarias com status de ministério e cinco são órgãos que demonstram todo o cinismo de Aécio ao dizer que pode acabar: Advocacia-Geral da União, Banco Central, Casa Civil, Controladoria-Geral da União e Gabinete de Segurança Institucional.

Cortar o que funciona
Das dez secretarias, quais a que Aécio pretende acabar? Imagino: Direitos Humanos, Secretaria de Políticas para as Mulheres e a de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. As demais, como dizia seu avô: Assuntos Estratégicos, Aviação Civil, Comunicação Social, Micro e Pequena Empresa, Secretaria Geral da Presidência e Relações Institucionais, com certeza ele não mexe. E se mexer, a economia será tão irrisória, pois se trata de “ministérios” cujos orçamentos são ínfimos, pois foram criados muito mais para colocar perto do presidente da República as decisões das pastas, já que embutidas dentro dos ministérios não tinham agilidade, em políticas, como as das mulheres e da microempresa. Portanto. Só demagogia de tucano.

Demagogia barata
O discurso peemedebista cobrando o fim de 14 ministérios padece da falta de honestidade. O PMDB elegeu Tancredo Neves presidente da República no Colégio Eleitoral contra Maluf. Ele aumentou os ministérios de 16 para 23. E nenhum peemedebista chiou. Morreu Tancredo e assumiu Sarney, que os aumentou para 31. E teve o apoio do PMDB, que àquela altura já era seu partido de filiação mesmo que tivesse deixado Roseana no PFL, atual DEM. Veio Collor e reduziu os ministérios a 17, mas criou a figura da secretaria com status de ministério e com 13 delas manteve o patamar de Sarney, com 30 pastas. E teve o apoio do PMDB que, em sua maioria, só o abandonou nos estertores do seu ensandecido governo quando o Fora Collor já tinha tomado-lhe o fôlego. FHC foi eleito com apoio do PMDB e aumentou o ministério para 34 pastas. Ninguém do PMDB chiou. Muito pelo contrário, a sigla chegou a ocupar sete destas cadeiras.