sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A direita quer Marina para tentar tirar Dilma a qualquer custo

O que me parece que vai se desenhando no cenário da eleição presidencial é exatamente o que previ no primeiro momento, quando me comunicaram que Eduardo Campos teria morrido em um desastre aéreo. Como animal político que sou, além do choque natural pela tragédia, pensei nas consequências políticas do fato. Choque porque, pois uma vida humana que se vai dói em qualquer alma sensível e ainda mais quando se trata de uma vida de destaque como a do ex-governador e mais ainda por lembrar-me da sua presença no lançamento do meu livro sobre Lula em Brasília e pelo fato de ter perguntado por mim ao encontrar-se com o cordelista Paulo de Tarso, de Tauá, coisa que eu nem esperava, pois não imaginei que tivesse ficado me conhecendo a este ponto. Pensei que seria natural a substituição do seu nome pelo da sua vice, Marina da Silva, e que isto viabilizaria um segundo turno, o que se configura como uma notícia ruim para a candidatura Dilma, que marchava de rota batida para ganhar no primeiro diante da estagnação de Aécio Neves, do esgotamento da capacidade de inventar escândalos, com o murchamento da CPI da Petrobras e o besteirol da Wikipedia que prova como o estoque de balas de prata andava escasso. Imaginei que, se a possibilidade era ruim para o PT por viabilizar o segundo turno, pior seria para o PSDB, pois a insossa candidatura de Aécio não resistiria a uma candidatura com mais apelo do novo, por mais falso que isto me pareça e com o ingrediente da comoção, que agora ela, mesmo dizendo que não quer falar de política, está costurando a mil por hora, tentando carregar a viúva de Campos, como vice, num gesto que demonstra o sentimento demagógico que invadiu aquela Marina com cara de pura de antigamente. O que quero dizer é que tendo o segundo turno, quem vai é Marinha e não Aécio, mas a direita está se lixando para Aécio que não vem demonstrando bom desempenho, mesmo depois de passado o estágio probatório da sua candidatura. Muito pelo contrário, todo dia é alvo de um novo escândalo, denunciado até mesmo pela mídia direitosa. Restrições, Marina tem muitas. Seja dentro do PSB onde tem muitas antipatias, seja no meio empresarial, com especialidade do agronegócio pelo seu perfil de ecochata, mas já sem muita convicção. O problema é que a direita nacional e internacional sabem que Marina não é ameaça nenhuma ao capitalismo neoliberal. E não precisa esperar ser eleita para mostrar isto. Na tentativa de ganhar, ela já começará a passar recibo na semana que vem “tranquilizando o mercado” de que será bem menos incômoda ao capital financeiro, aos interesses dos investidores estrangeiros e do agronegócio, que Dilma Rousseff vem sendo. Resta saber o que vai pensar um imenso contingente de eleitores do povão, que não costuma raciocinar com base nos argumentos da mídia. Não se celebrará a missa de sétimo dia, sem que se conheça a nova Marina, que já está se pintando...

Natal
Senti grande preocupação numa importante figura da campanha de Henrique Eduardo Alves com respeito a uma pesquisa que traz Robinson Faria em primeiro lugar em Natal. Nem mesmo a presença de Wilma como senadora em chapa casada com a dele resolve o problema. Como já imaginava, vejo que Wilma não está conseguindo alavancar Henrique, mas Henrique claramente consegue atravancar Wilma.

Londrina
No Paraná, a convite da Universidade Estadual de Londrina para ministrar uma oficina num simpósio de comunicação popular e comunitária, com foco no poder comunicativo e de resistência da Literatura de Cordel, constato uma boa presença de nordestinos nesta rica e bela cidade. Surpreendeu-me mais ainda o fato de Londrina, no Sul do País ter um departamento de Literatura de Cordel na sua Biblioteca, com quatro mil títulos, coisa que não tem nas universidades de Mossoró.

Preocupante
Muito preocupante mesmo é a perspectiva de mais um ano de seca no Nordeste. É de arrepiar.