sábado, 7 de fevereiro de 2015

Bendini, louva seja...

Omercado não gostou da escolha de Bendini para a Presidência da Petrobras. Então, não restam dúvidas de que Dilma Rousseff acertou em cheio. Basta olhar um pequeno demonstrativo feito por Sardenberg no Jornal da Globo, da sexta. As ações da Petrobras estavam a oito reais e pouco na segunda-feira desta semana, quando foi anunciada a saída de Graça Foster. A cada nome cogitado a especulação rolava com o preço das ações caindo ou subindo conforme ao sabor dos ventos da especulação. Passou de onze na quarta-feira, quando chegaram a dizer que poderia ser Henrique. O fato é que nas alturas a que chegou o preço da ação, segundo o insuspeito Sardenberg, quem tinha um milhão de reais em ações, em apenas três dias já havia ganhado cerca de 340 mil reais. Com a confirmação de Bendini, as ações caíram para 9 reais e pouco. Ou seja, com a “grande queda” tão comentada pelos analistas de fancaria, a ação de 8 e pouco na segunda, depois de altas e baixas chegou a sexta-feira a mais de 9 reais, ficando o lucro da semana em “pouco mais de cem mil reais”. Ou seja, enquanto vendem a impressão de que o acionista perdeu 240 mil, da segunda para a sexta, vê-se que, de fato, ele ganhou mais de cem mil reais em quatro dias. Perderam, sim, os especuladores que, com um testa-de-ferro do tal mercado teriam suas ações turbinadas para doze a quinze reais, ganhando, quase outro milhão sem dar um prego numa barra de sabão. Mas... O que leva o mercado a não gostar de Bendini? Seria a incompetência? Não. Em cinco anos ele mais que dobrou o valor do Banco do Brasil de seiscentos e poucos bilhões para mais de um trilhão e quatrocentos bilhões. Homem ideal, portanto, para fazer a Petrobras voltar a dar grandes lucros e ter seu valor agigantado. Seria a corrupção? Não consta nada contra ele, que começou no BB, aos 14 anos e chegou à presidência de um dos maiores bancos do mundo, sem parentes importantes e vindo do interior, onde começou como estagiário da agência da cidadezinha onde nasceu, inclusive se efetivando no banco, através de concurso público. Seria pela sua vinculação política? Não, porque ele não é filiado ao PT nem a nenhum partido da base aliada. O “pecado mortal” que lhe é imputado é ser da confiança da presidenta Dilma. Como se diz em bom mossoroês: “aivai... E num era pra ser, não?”. Mas o que faz os rentistas espumarem de ódio contra “o homi” é que foi ele quem cumpriu, à risca, a missão que lhe foi dada por Lula de diminuir o spread bancário, ou seja, a diferença entre o juro que o banco cobra e o juro que o banco recebe. Lembram como eram os cartões de crédito no tempo de FHC? Você aplicava dinheiro num banco e tinha 2% de renda no final do mês, mas quando gastava no cartão de crédito, o juro no final do mesmo mês, era de 30%. Foi esse spread de 28% por cento que Bendini rebaixou a patamares que ainda são altos, mas deu uma folga ao usuário do crédito, o pobre mortal, e deu um monstruoso “prejuízo” ao todo-poderoso banqueiro privado. Pisou nos calos dos banqueiros, até porque depois ele recebeu a missão de baixar os juros bancários, mesmo. E como não podia baixar juros nos bancos privados baixou na CEF, no BB e nos outros bancos estatais e assim obrigou os bancos privados a baixarem também. Continuemos nas Notas Curtas.

O “pior” é... O Social
E o que é mais grave neste demônio chamado Bendini. É que ele conseguiu fazer tudo isso mantendo, preservando e ampliando a visão social. Sem cortar o apoio a projetos sociais, como a própria Graça Foster fez na Petrobras, acossada pelo escândalo da eleição anterior, quando a BR cortou quase tudo de financiamento a projetos sociais, ambientais e culturais. Portanto que calem as matracas os trombeteiros da mídia e do mercado. Os gritos que eles estão dando contra “Bendini”, nomeado por Dilma, só é comparável ao silêncio diante dos “bandidos” que foram nomeados por FHC para transformá-la em Petrobrax e vendê-la na pedra... do mercado. 

Ignorância
Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES e ex-ministro de FHC, em análise na Rádio Bandeirantes, disse, sem meios termos: “A queda das ações da Petrobras na Bolsa de Valores é mera ignorância, pois o perfil de Bendini, mesmo não sendo um homem do mercado, é altamente favorável, já que se trata de um administrador de uma empresa quase do porte da Petrobras, e que entende de finanças, problema central da BR no momento. Ele vai sentar em cima do caixa da empresa e vai olhar para um poço de petróleo, não com a paixão de um engenheiro de petróleo, mas como um financista que vai analisar qual o rendimento que este pode dar”.