segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

A vitória de Eduardo Cunha. Ao PT resta o grito: Esquerda, volver!

Odiscurso de Eduardo Cunha, de que não vai exercer postura oposicionista na presidência, não me convence. Não vejo nele pessoa merecedora de nenhuma gota de confiança. Formará fileiras junto ao que há de pior na política para tentar dificultar a vida do Governo Dilma e do PT. Mas... Venhamos e convenhamos, o PT nunca teve vida fácil na oposição, muito menos no governo. E esta “cunha” que a Câmara acaba de enfiar entre o Congresso e o Planalto também tem uma importância muito grande para que a presidente Dilma se ligue quanto ao pântano onde pisa e deixe de fazer de conta que ser governo é a mesma coisa que ter poder. Como petista desde os primórdios do partido, sinto que o PT está chegando a uma encruzilhada que lhe obriga a tomar o rumo das origens. E não é com um grito de “Meia Volta, volver” que conseguirá o feito. O grito que não quer calar, é: “Esquerda, volver”. Entendo que valeu a pena pagar o preço da conciliação, abrir mão de muitas bandeiras que são caras à proposta de luta com que o PT nasceu. Foi importante fazer tudo isso para chegar ao Governo Federal e ali permanecer com o mínimo de governabilidade, podendo governar e ainda que precariamente, poder implementar algumas conquistas que fizeram com que o trabalhador brasileiro pudesse ascender socialmente e chegar a uma condição que não lhe obriga mais a racionar ao som macabro do ronco das tripas famintas. Os protestos de junho de 2013 mostraram que o modelo que o PT implantou com muito sucesso por uma década, havia esgotado. Há limites e os limites estão acima do poder limitado de um presidente da República. E para que este ou esta presidente possa avançar nas mudanças e aprofundar a democratização das riquezas e da cidadania precisa romper com alguns limites que o mantém preso ao círculo cego que imobiliza os perus de noite. O verniz ideológico que faz o peru não sair do lugar porque lhe fizeram um risco no chão ao derredor. Está posto: ou o PT rompe com algumas tenazes do capitalismo selvagem que impera no Brasil ou o PT será apeado do poder, democraticamente ou não, pois isso não importa aos inimigos do PT, useiros e vezeiros nas artes do golpismo, a ponto de contarem nos dedos presidentes arrancados do palácio por suicídio, deposição pela via militar, renúncia forjada, porém forçada, e até um impeachment de um dos seus que furou o “Código de Honra” da máfia. Não tem cabimento, por exemplo, que o PT se mantenha encabrestado pela mídia golpista. Evo Morales, num país pobre como a Bolívia, teve a coragem de criar um jornal e em apenas três anos, fez dele o mais lido do País.  Continuemos na Notas Curtas:

Ser ou não ser
Por que, depois de doze anos no poder, o PT continua refém da rede Globo, da Veja, da Folha de S.Paulo e do Estadão e exposto a comentários ácidos dos mais reles jornalistas de província e cuspidores de microfones de um kilowatt acima? Por que manter a mão tão leve com corruptos que enxovalham a vida da Petrobras e saqueiam o SUS em detrimento das vidas do povão que definha nas suas filas cruéis. Por que não partir para cima da indústria da segurança pública, que se alimenta da criminalidade e da falsa segurança que o cidadão desesperadamente pede? Essa cadeia de absurdos que, de dentro e de fora das cadeias, de dentro e de fora do parlamento e do Poder Judiciário alimenta uma violência típica de guerra civil. Ser ou não ser, eis a questão. Infeliz do poder que não pode...

Não basta espantar a mosca
Para enfrentar as manobras de uma cabeça maquiavélica e privilegiada para a prática do crime político e que finalmente chega às beiradas do prato de papa do poder, assumindo a presidência do Poder Legislativo e se tornando o segundo vice-presidente da República, só tem um jeito: Pegar a estrada à esquerda. Eduardo Cunha é a mosca que caiu na sopa do PT. Não basta espantar com mão leve. É como a saúva, que diziam que ou o Brasil acabava com ela ou ela acabava com o Brasil.

Ruptura
A encruzilhada já não permite escolher, somo se fosse possível dar um passo para a esquerda e outro ou outros para a direita. A nomeação de Kátia Abreu para deter o avanço da direita no congresso deu com os quartos-de-milha na areia movediça. Toda a bancada ruralista fechou com Eduardo Cunha. É acreditar naquilo sempre pregou. O PT precisa reler seus próprios documentos e se lembrar que deles abriu mão temporariamente e não em definitivo. Ou o PT passa para a história pelo “P” e o “T” que aparecem juntos na palavra ruPTura ou será carimbado pelo “P” e o “T” de corruPTo como se não tivesse outra coisa no poder, que não roubar o dízimo do dízimo do que roubou e roubam os que lhe apontam os dedos sujos. Portanto: ou o PT põe o povo nas ruas ou a direita põe na rua o nosso governo...