segunda-feira, 24 de março de 2014

O que Rosalba quis dizer com “Minha senadora?”

Tempos difíceis estes que correm. Secos, para quem se atreve a ser formador de opinião ou mesmo simples trabalhador da notícia. Os bastidores fervem, mas o jogo é todo na retranca. Milhões de informações e nenhum real de credibilidade em nenhuma delas. E “em tempos de eleição até vaca desconhece bezerro”, como dizia meu amigo e colega de poesia Joãozinho, ex-secretário de Cultura do Maranhão. Outro ditado popular diz que “em tempos de Muricy, cada qual cuida de si”. É o caso de José Agripino, que abandonou a única governadora do seu partido para salvar a candidatura do seu menino mimado, com um mandato só reconhecido nas páginas marrons da revista Veja e nos outdoors também pagos a peso de ouro. “Rosalbista” e “agripinista” já não são palavras sinônimas. Garibaldi fez muito por Rosalba Ciarlini na campanha em que ela se elegeu senadora, apesar de que, em verdade, em verdade, ele queria somente garantir o capricho do pai que desejava “chegar ao fim da vida sendo chamado de excelência”. Henrique, porém, nada fez por ela. Apoiou Iberê e oportunisticamente caiu nos braços de Carlos Augusto não para apoiar Rosalba que dele nunca precisou para arrastar verbas dos cofres planaltinos, pois teve, mesmo sendo de um partido arquiadversário, portas abertas no gabinete republicano de Dilma Rousseff, sem contar que para transpor seus umbrais sempre contou com a fiel amiga Ideli Salvati. Henrique queria, isto sim, botar suas digitais em todas as verbas federais vindas para o RN e deixar Rosalba “chupando o dedo”. Rosalba sabe dos seus limites, mas está trabalhando febrilmente para apresentar, às vésperas das convenções, obras e mais obras, pois verbas e mais verbas teve e tem, para tanto. Poderá, sim, ser candidata à reeleição, sem apoio dos que se acham donos dos destinos potiguarinos. E, em assim sendo, abandonada por tantos que durante tanto tempo abandonaram o Rio Grande do Norte, fazer o discurso de que não loteou o governo em sesmarias e que, por sabedoria dos seus ou incompetência da oposição, não tem escândalos com fraturas expostas contra si. Pois bem. Cá com meus botões e, mesmo sem entender patavina de política, imagino que, ao chamar Fátima Bezerra de “minha senadora”, Rosalba quis dizer que pode se lançar ao governo sem candidato a senador. Segurar uma quota elevada de prefeitos, pois verbas não lhe faltam para isto. Quem sabe, umas três “coserns” podem estar “no mocó” esperando a hora dos “convênios” e sair rasgando “de fininho”, pedindo voto para Dilma, abertamente, gostem ou não os petistas potiguares e liberando seu povo para votar em Fátima, já que Vilma não lhe agrada fora do senado, imagine dentro dele. Como se não bastasse, além de Henrique, Agripino e Vilma, o palanque ainda terá de contrapeso, a prima Sandra Rosado, por cuja amizade, há tempos nem Rosalba nem Carlos Augusto, prima...

Fora
Pelo menos uns setenta por cento dos partidos que somaram com a candidata Larissa Rosado em 2012 estarão em outros palanques, em 2014.

A síndrome da Serra
No vizinho município de Serra do Mel, o candidato a prefeito pelo PT em 2012, foi o sindicalista Manuel Cândido que ganhou a eleição, mas como concorreu sub judice e não conseguiu provimento no recurso que apresentou no TSE para recuperar seus direitos políticos teve os votos não contabilizados e a eleição foi anulada. Um novo pleito aconteceu em abril de 2013. Foi candidata Dona Francisca, esposa de Manuel, e os adversários lançaram Fábio Bezerra, então prefeito interino, por ser presidente da Câmara. Fábio foi eleito, mas praticou crimes eleitorais, por três dos quais já se encontra cassado. Qualquer dia, qualquer hora, Serra do Mel terá a terceira eleição de prefeito em menos de dois anos. Isto, num município de 11.500 habitantes é muito grave, mas num município de 300 mil habitantes como Mossoró é caótico.

A síndrome de Grossos
Surgem outras especulações no que diz respeito à outra possibilidade. A que aconteceu na também vizinha cidade de Grossos, onde o ex-prefeito João Dehon, que concorria sub judice em 2012, faltando 48 horas para o pleito substituiu seu nome na chapa pelo do irmão, Mauricinho. Nem mesmo a foto de João Dehon deu tempo de sair da urna eletrônica. Como se vê, Mossoró não precisa ir longe para ver o que não deve fazer. Trinta e poucos quilômetros em qualquer direção podem oferecer exemplos concretos.

Quanto ao DEM
Bom... Quanto ao DEM, nada se pode dizer. Com a palavra, a Justiça eleitoral, que também ainda não se pronunciou sobre a pretensão de candidatura da deputada Larissa.