segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A César o que é de César e a Deus o que é de Deus

No blog do Paulo Lopes: http://www.paulopes.com.br/2014/09/pastor-pede-deus-que-livre-o-brasil-de-politicos-evangelicos, podemos encontrar subsídios de suma importância para esse debate que se dá em torno de Marina de Silva, com alguns evangélicos pregando maravilhas para o caso de uma eleição dela, por se colocar no poder central uma evangélica. Da minha parte, prefiro não fazer essa relação, até porque entendo que o Estado brasileiro é laico e não se deve estabelecer como critério para escolha de um candidato para votar a sua opção religiosa. E ainda porque já vi o Brasil governado por um presidente evangélico: o general Ernesto Geisel, que não foi diferente dos demais generais ditadores e que eram católicos, como Garrastazu e Costa e Silva, por exemplo. Vi o Rio de Janeiro governado por um evangélico, Anthony Garotinho, que quase se projeta para presidente da República distribuindo carretas cheias de Bíblias sagradas e que foi um péssimo governador, assim como o foi a sua esposa também evangélica, e que os dois entregaram o Rio de Janeiro ao crime organizado. Vi aqui de lado, em Icapuí, um prefeito pastor protestante que deixou um robô de 23 milhões na Prefeitura, segundo informações de lá mesmo, destruindo os serviços públicos em um município que tinha sido destaque nacional e internacional com prêmios em saúde, educação e cuidado com a criança. Tanto que a Prefeitura voltou para o PT. No já citado Blog do Paulo Lopes tem o artigo do pastor brasileiro Ricardo Gondim, que, analisando como se dá a presença de políticos evangélicos nos Estados Unidos, ergueu a voz dizendo: Deus nos livre de um Brasil governado por políticos evangélicos. E deu os dados: a revista eletrônica Huffington Post publicou um texto de Geoffrey R. Stone, professor de direito da Universidade de Chicago. Stone se deparou com uma lista dos dez Estados com maior índice de pessoas que se consideram religiosas na América. Com exceção de Utah, mórmom, todos os outros fazem o cinturão bíblico, o chamado Bible belt. Portanto, Estados com predominância evangélica. Por ordem, são: Mississipi, Utah, Alabama, Louisiana, Arkansas, Carolina do Sul, Tennessee, Carolina do Norte, Geórgia e Oklahoma. Stone pesquisou o que essa maciça presença evangélica significa nesses Estados do sul. Sua descoberta estarrece. Vejamos nas Notas Curtas:

Segregação racial
Nove dos dez Estados mantiveram escolas racialmente segregadas até a decisão da Suprema Corte de aboli-las em 1954. Cinco dos dez Estados continuam como os piores na insistência de manter segregação racial nas escolas públicas.

Criminalidade, pobreza e saúde
Oito dos dez Estados constam nas lista dos onze com maior população carcerária. Todos os dez Estados têm pena de morte. Nove desses dez Estados constam dos vinte piores nos índices de morte provocada por arma de fogo. Sete dos dez estão entre os dez com mais alta percentagem de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Nove dos dez Estados fazem parte dos vinte com maiores índices de fumantes. Sete dos dez Estados foram ranqueados entre os dez com a pior condição de saúde. Nove dos dez Estados constam entre os treze piores na expectativa de vida. Sete dos dez Estados têm os piores níveis nacionais na qualidade de serviço médico.

Salário e educação
Cinco dos dez Estados são os únicos estados americanos sem leis de salário mínimo. Todos os dez participam das listas dos piores salários mínimos americanos. Nove desses dez Estados estão na lista dos dezoito piores com gastos em educação pública. Nove dos Estados foram inseridos na lista dos vinte piores no quesito qualidade da escola pública. Cinco dos Estados constam entre os dez em que mais cidadãos veem pornografia na internet.

Será que Marina traria um pedaço do céu
No Brasil, seria diferente? Acredito que o melhor dos mundos que políticos evangélicos moralistas prometem pode não acontecer. Pelo contrário, com o histórico já bem documentado da fragilidade ética dos líderes e com a falta de senso crítico dos seguidores, caso o avanço do neopentecostalismo continue e cada vez mais, grandes empresas da fé comprem horário na televisão, o pior ainda está por vir. Infelizmente.

Minha opinião
Até a nota anterior é a opinião do pastor Gondim. A deste colunista é que o fato de Marina ser evangélica, ou não, em nada melhora ou piora a sua capacidade de ser presidenta da República. O problema é sua visão atrasada das principais questões nacionais, em que ela confunde a posição de estadista com a de devota e passa o pé pela mão. O fato é que onde misturam política com religião, seja nos estados islâmicos, como Irã, Iraque e Afeganistão, seja no estado judaico, seja entre cristãos, que, mesmo contrariando a constituição dos Estados Unidos, governam seus estados pelo viés da fé, acabam cometendo graves erros históricos, políticos e administrativos. Que continuem cuidando dos seus rebanhos e deixem a missão de governar para quem nasceu com a vocação de estadista, ou se desvistam das questões religiosas e governem com base na lei dos homens, que é a lei do País. Os evangélicos dão uma ótima contribuição ao Brasil nas suas igrejas, assim como nossos padres e nossos espíritas. Jesus já definiu isso muito bem com a célebre frase: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.