sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Dilma cresce entre os evangélicos e o eleitor de nível superior

Nas últimas pesquisas Dilma vem crescendo de maneira sustentável. Desculpem o trocadilho, já que Marina, principal adversária no momento, é de um simulacro de partido chamado “rede” e alcunhado “sustentabilidade”. O fato é que, passada comoção gerada pela morte trágica do candidato presidencial do PSB, Eduardo Campos, em acidente aéreo, Marina assumiu o seu lugar e teve que se expor. E ao se expor apareceram suas fragilidades imensas, seu contundente despreparo. E, o que é mais grave, suas duas facetas ainda mais negativas que o despreparo: a contradição contumaz e seus posicionamentos por demais conservadores, pra não dizer, mesmo reacionários e a serviço das elites. Fico imaginando que num provável segundo turno Marina será desnudada na imensa mentira em que ela se tornou. Impossível manter a preferência dos extremos que nela apostam à primeira vista: De um lado os jovens mais rebeldes, aqueles que não conheceram o Brasil antes de Lula, o eleitor de 16 a 24 anos que tinha entre quatro e doze anos nos tempos de FHC, que ouviu falar na ditadura de relance e que não conheceu a tumultuada Era Collor e os tempos Sarney e Itamar. Do outro lado, a extrema direita raivosa e que não perdoa alguém que quer se mostrar de esquerda... Enquanto Marina cai, Dilma sobe em todos os segmentos e em todas as regiões do País. Um segmento que se imaginava estaria aos pés de Marina, como o segmento evangélico, deu a Dilma, um crescimento de 28% nas preferências de intenções de votos nas últimas pesquisas. Pouca gente sabe, mas lideranças evangélicas de grande porte estão trabalhando sistematicamente em favor de Dilma porque sabem que Dilma não lhes representa nenhuma ameaça, visto que doze anos depois do PT no governo, o terrorismo que faziam sobre fechamentos de igrejas, obrigatoriedade de pastores casarem gays e comunismo ateu não se concretizou. Os evangélicos, como, de resto, todas as religiões, nunca tiveram tanta liberdade, nem nunca experimentaram um crescimento tão grande, especialmente porque suas fundações de ação social nunca receberam tanto apoio dos governos, como com Lula e Dilma. Por outro lado, Dilma cresceu no segmento do nível superior de escolaridade. Onde nunca deveria ter caído, pois foi um dos setores mais beneficiados pelos governos petistas, mas é compreensível que seja aí, onde tudo se discute e tudo se questiona, que o candidato de situação esteja sempre sob o crivo da crítica feroz. Segmentos de extrema esquerda proliferam e gritam a toda goela no meio universitário e a extrema direita atua sem alardes, mas de forma sistemática. Mesmo assim, Dilma cresce entre o eleitor de nível superior de escolaridade, cresce entre os jovens que entenderam que a rebeldia não é apenas ir às ruas e gritar, mas tem que ver tudo o que sonhou transformado em projeto exequíveis e estes projetos transformados em realidade. E que isto não se faz à base do “abracadabra”. Quanto ao crescimento de Aécio, ainda estou esperando para que alguém me mostre um único motivo. A não ser o interesse dos institutos de pesquisa, serviçais que são da mídia reacionária que quer derrotar o PT a qualquer custo, mas ainda prefere acreditar no seu próprio candidato, Aécio, que em Marina, uma incógnita, que não transmite segurança.

Pesando e medindo
Já não estava dando muito crédito ao que Marina da Silva diz na sua discurseira contraditória. Mas aquele discurso infame em Fortaleza dizendo que a mãe alimentava oito crianças com um ovo de galinha por dia, me encheu a medida. Um ovo de galinha pesa entre 40 e 60 gramas. Ou seja, ficaria de 5 a 7,5 gramas por criança. Do ponto de vista nutricional é impossível viver-se com menos de 400 calorias/dia, numa dieta extremamente rigorosa e apenas com líquidos. Pois bem, na dieta de Marina, ela e cada irmãozinho ficava com a dose diária de 6,5 calorias.

Vai enganar o diabo...
E lembrar a fartura que existe na floresta, com alimentos à farta que os índios e os seringueiros sabem muito bem como colher através da caça, da pesca e do extrativismo, além da possibilidade de cultivo. Isso é discurso de loroteiro. Demagogia demais, passa da conta. Sugeriram-me no twitter que poderia ser um ovo de avestruz que pode pesar até 1,4 quilos, ficando 175 gramas por criança. Mas, que eu saiba não tem avestruz na Amazônia. Outro ovíparo capaz de dar uma dose razoável de alimento com um ovo poderia ser um dinossauro, mas o bichinho desapareceu há 140 milhões de anos.

Briga de foice
Os institutos de pesquisa continuam na sua briga na tentativa de influenciar as eleições de outubro.
No Ibope Marina sobe, na Folha que antes incensava Marina, agora ela cai. Dilma, mesmo bombardeada pelos dois institutos, continua crescendo ou, no mínimo, firme na dianteira. A tentativa de arrancar Aécio da sarjeta é grande, mas fica difícil recuperá-lo nas duas semanas que faltam.