segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A religião de um(a) presidente não melhora nem piora seu desempenho no poder

Nestas últimas semanas, várias pesquisas foram divulgadas apresentando as intenções de votos nos presidenciáveis, como José Serra (PSDB), Aécio Neves (PSDB), Dilma Rousseff (PT), Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PTD). Vi na internet comentários de evangélicos dizendo que “Anthony Garotinho representou em 2002 a esperança dos evangélicos, porém não ganhou. Defendendo uma plataforma populista e um discurso “contra as elites bancárias”, Garotinho espantou muita gente e não conseguiu apoio suficiente fora do arraial gospel”. Em 2014, Marina da Silva, é evangélica e, mesmo não sendo representante do segmento, tem sido usada como galvanizadora das simpatias dos evangélicos, em torno de bandeiras reacionárias e de mentiras que são alimentadas pela campanha do ódio ao PT. O discurso evangélico/politiqueiro perdeu força. Esbravejar contra o casamento gay não conquista mais ninguém, a não ser idiotas. Primeiro, porque, depois de termos o PT há doze anos no poder, está mais que provado que não cabe à presidência da República cuidar de casamento gay ou hetero e que se assim fosse, o PT não causaria medo, pois nenhum pastor foi abrigado a casar gays, exceto os da igreja protestante de gays em Minas Gerais que o fazem espontaneamente, já que o pastor é um gay casado. Outra coisa é que agora o que causa rejeição mesmo é a homofobia. Vimos como Marina despencou depois dos relinchos de Silas Malafaia sobre o assunto. Também não existe mais nenhum evangélico que ache que o PT vai fechar igrejas evangélicas, pois elas estão aí, umas abertas e outras abrindo com o PT no poder. Um levantamento histórico mostra que a opção religiosa não é critério para se escolher um mandatário de nação, pois já tivemos três presidentes evangélicos e este fator não influiu para o bem nem para o mal das suas gestões: O primeiro presidente protestante foi Washington Luís, que não era dos mais aplicados, mas frequentava igreja protestante. Depois tivemos João Fernandes Campos Café Filho, vice de Getúlio Vargas que assumiu o posto após o suicídio do presidente no ano de 1954 e passou pouco mais de um ano no poder. Era membro da Igreja Presbiteriana do Brasil em Natal. O general Ernesto Geisel, que exerceu o mandato de 15 de março de 1974 até 15 de março de 1979 foi o terceiro presidente protestante do País. Era membro da Igreja Luterana no Rio Grande do Sul. Portanto, em pleno regime militar o povo evangélico teve um “representante”. O humorista Juca Chaves foi preso porque disse que o presidente da República era “filho de um pastor alemão”. Duplo sentido por ser o seu pai, pastor evangélico e de nacionalidade alemã. Os próprios evangélicos em sua discussão na internet questionam: Alguma coisa mudou na estrutura do país com esses homens? Nada, absolutamente nada, para decepção dos ufanistas... O Brasil não mudou pela fé evangélica desses homens. Inclusive um foi general do regime militar. Nas últimas pesquisas o segmento evangélico é um dos onde Dilma Rousseff mais tem crescido. Pois eles reconhecem que as obras sociais das suas igrejas nunca receberam tanto apoio e nas casas de famílias evangélicas, como nas demais casas, a presença do governo é muito positiva.

Trajetória
A trajetória de Marina da Silva está lembrando dois candidatos das eleições de prefeito Celso Russomano, em São Paulo, que chegou a liderar as pesquisas para prefeito de São com treze pontos e Moroni Torgan que abriu o placar de Fortaleza na frente de todo mundo com mais de 30 pontos de intenções de votos. Na reta final nenhum dos dois foi para o segundo turno.

Estratégias erradas
Os tucanos erraram duplamente nas estratégias alopradas para tentar ganhar à força. Primeiro, incentivaram o ódio antipetista na mídia. E o efeito que deu foi açambarcado pela emoção que levou o eleitor a optar por Marina. Depois, no afã de ir para o segundo turno, Aécio partiu para desconstruir Marina. O que deu foi esta possibilidade que se abre, de Dilma ganhar no primeiro turno, ou se tiver o segundo, ela disputar com Marina.

Lá na frente
Pesquisa chegando e trazendo Dilma com 15 pontos percentuais na frente de Marina no primeiro turno e quase dez no segundo turno, se houver. Significa que mesmo com aecistas, Levyistas, Everaldistas e Eymaelistas indo para Marina no segundo turno, Dilma ainda vence com folga. Dez por cento são mais de dez milhões de votos para reverter em vinte dias de segundo turno, não mais de quinhentos mil votos por dia, quatro vezes todos os votos válidos de Mossoró.