segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Uns brincando de pesquisas... Outros brincam de eleições

Duas “leis” do direito consuetudinário se fizeram valer no Brasil, por mais questionamentos que mereçam. A primeira delas é a de que sentença judicial não se discute, se cumpre; a outra é a de que não se pode duvidar de pesquisas eleitorais. Acho que ambas merecem emendas. A das sentenças judiciais, particularmente, entendo que devem ser cumpridas, mas também devem ser discutidas, pois que os juízes são falíveis e, o que é mais grave corruptíveis, como resta provado pelos próprios órgãos de fiscalização da própria Justiça. A das pesquisas, mais ainda, merecem questionamentos, visto que são feitas por muitos institutos e atendem a diferentes interesses, já foram várias vezes desmoralizadas pelas urnas e cada uma deles já traz o anúncio de uma margem de erro. Ou seja, quem as faz e exige respeito admite que erra. As pesquisas eleitorais estão cavando a própria cova, como vimos nas eleições de Mossoró, quando Larissa manteve maioria sobre Cláudia Regina em 18 pesquisas e quando as urnas foram abertas, saiu derrotada. Agora são as pesquisas presidenciais. Tem instituto inflando Marina, para depois ficar segurando-a numa altura improvável, enquanto outros institutos já começam a mostrar a candidata se esmilinguindo. Por outro lado, a Justiça eleitoral, que deveria zelar pelo respeito à lei e ao regime democrático, está fazendo o jogo das cadeiras ao bel prazer. Prefeitos são cassados e “descassados”, ou cassados e mantidos no poder, como se troca ou se deixa de trocar de camisas e cuecas. A brincadeira chegou ao extremo agora em Ipanguaçu. Este colunista encontrava-se com o prefeito Leonardo num evento cultural, quando ele recebeu a notícia da cassação. Achamos um absurdo, mas começou o “vai-não-vai”, afasta ou não afasta o prefeito, foi gerando instabilidade administrativa até que resolveram fazer uma nova eleição. Leonardo não pôde ser candidato, mas o presidente da Câmara, com o seu apoio, derrotou não só o adversário local, mas todos os caciques do acordão que tenta impor ao RN o retrocesso político e também jurídico, se é que é verdade o que se dizem do poder de Henrique no Judiciário, os seus próprios correligionários. Agora o TSE determina a volta de Leonardo. Mas o povo de Ipanguaçu já foi às urnas, já elegeu outro prefeito por determinação desta mesma Justiça Eleitoral que torrou dinheiro público e diplomou outro prefeito que está no cargo. O que pode esperar o cidadão de um Judiciário que age desta forma? A quem pensa que serve a Justiça Eleitoral?

Amnésia
Marina, que vem se caracterizando como a rainha da contradição, não deixou por menos no nosso Rio Grande do Norte. Quando Eduardo Campos engoliu a aliança de Wilma de Faria do seu PSB com Henrique Eduardo, do PMDB, Marina detonou. Falou da aliança norte-rio-grandense como um dos exemplos do que ela chama de “velha política”, entendendo que seu partido não deveria se juntar com Henrique, um candidato eivado de denúncias de corrupção. Agora Marina está de vez em quando no rádio pedindo votos para Wilma Senadora. Faz de conta que não sabe que Wilma está metida até o pescoço numa coligação da “velha política”. Aliás, na cabeça de Marina só tinha aliança errada quando o candidato era Eduardo Campos, agora que é para apoiá-la, tudo vale.

Mutirão
É evidente o mutirão dos novos amigos de Wilma de Faria na tentativa de salvá-la. É todo mundo dando uma mãozinha para ver se ela reverte a tendência de queda que, em contraste com a curva de subida de Fátima Bezerra, desenha nos mapas das pesquisas a famosa “boca do jacaré”. Quanto mais os ex-críticos de Wilma a elogiam, mais ela perde pontos, pois todos lembram o que ela dizia dos tais “caciques” com quem se juntou para derrotar o PT de quem ela fala tão mal agora”. Exatamente o PT que tanto a ajudou e que não ajudou mais porque uma reca de gente desonesta que sempre esteve ao seu lado não deixava.

“Alavantu”
Ontem ouvi no rádio que existe a possibilidade de Wilma de Faria vir a ter apoio dos 21 vereadores de Mossoró, pois que já conta com dezoito deles. Três conclusões saltam aos olhos. A primeira é a de que, como Wilma já vinha com apoio de 16 vereadores e estava com 9% por cento a menos que Fátima Bezerra, resta provado que vereador não garante votos para candidaturas majoritárias.

Deserto vermelho
A segunda é que o prefeito Silveira Júnior, coordenador da campanha de Fátima e Robinson em Mossoró, está ligado na campanha de Robinson, mas liberou sua base parlamentar, onde conta com pelo menos 16 edis, para votar em quem quiser para o Senado, negociando “na base do amor”, como me disse um deles. A terceira conclusão é quanto à grande estultícia do PT municipal ao aceitar tirar o único vereador que tinha na Câmara Municipal, para ser vice, quando o partido dispõe de vários nomes à altura do cargo. Mas o partido vergou a espinha à imposição do prefeito e se deu mal, podendo não ficar com viv’alma na Câmara, a defender sua senadora.