quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Por que os bancos querem derrotar Dilma?

Deparo-me com um excelente artigo Antônio Augusto de Queiroz, no site do Diap. O autor é “Toninho”, um dos nomes mais respeitados no meio a assessoria sindical em Brasília (DF). Mas ele é de Pau dos Ferros, primo de Canindé Queiroz e um excelente amigo que conquistei quando fizemos juntos um curso na Universidade dos Trabalhadores da América Latina, na Venezuela, em 1989. Toninho sabe o que diz. É fundamentado, pois o DIAP, onde trabalha acompanha tudo, “tintim por tintim” como diz Zé Mendes que acontece na área parlamentar fazendo o gancho com os interesses do movimento sindical. E é um nome respeitado, sendo convidado frequentemente para ministrar palestras e cursos pelo Brasil afora e também o exterior. Vejamos os pontos elencados por ele, na relação promíscua de Marina Silva com os interesses dos banqueiros, apoiadores motivados pelo ódio que têm a Dilma, por mais que se diga que eles ganham muito nos governos petistas.  “Numa única palavra: ganância. Nunca os banqueiros deste país lucraram tanto como nos governos do PT, mas esse pessoal não tem limite”. E passa a elencar quatro motivos que embasam tamanha hostilidade ao governo Dilma. O primeiro motivo, e não necessariamente o principal, é porque o governo Dilma ousou desafiá-los, ao interferir na margem de lucro deles, ao pressionar o Banco Central que reduzisse a taxa Selic, de um lado, e, de outro, que os bancos oficiais, BB e CEF, reduzissem o spread bancário, a partir da concorrência com a banca privada. O segundo motivo é porque nos governos do PT o dinheiro de origem trabalhista: FAT, FGTS e alguns Fundos de Pensão de estatais, com baixa intermediação do sistema financeiro privado, foi utilizado para fornecer crédito barato, gerar emprego e renda. Ou seja, em lugar de ir para a especulação, com ganhos astronômicos dos rentistas, esse dinheiro foi para o investimento produtivo. O terceiro motivo foi a criação do Fundo Soberano, com as finalidades de promover investimentos em ativos no Brasil e no exterior, formar poupança pública, mitigar os efeitos dos ciclos econômicos e fomentar projetos de interesse estratégico do país localizados no exterior. Isso reduz as perspectivas de captação e administração de recursos públicos pela banca privada. O quarto foi a criação do Banco dos BRICs – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, que terá um capital inicial de US$ 50 bilhões e que poderá ser utilizado, com custo mais baixo, por seus sócios, o que, igualmente, não agradou aos banqueiros brasileiros. As motivações, como se vê, são todas decorrentes do desconforto com a presença do governo na gestão ou intermediação de parcela dos recursos destinados aos investimentos (capital estatal, capital privado nacional e capital estrangeiro), sendo o maior montante os de origem trabalhista.

Ganância
Voltemos ao argumento inicial de Toninho: Ganância. Só esta palavra explica tamanho ódio a um governo que cresceu o PIB de um para quatro trilhões de reais e fez a inclusão bancária de trinta milhões de brasileiros aumentando suas chances de ganhar dinheiro honestamente e de acordo com os valores do chamado mercado. Mas eles, sempre querem mais e, se possível de forma privilegiada, quando não, desonesta...

Legitimidade
Wilma de Faria tem muita gente pedindo voto para ela: Agripino, Henrique, Garibaldi, Rogério Marinho, Carlos Eduardo, Luiz Almir, quase tudo gente que esculhambava com ela até um dia desses. Fátima tem Lula, que além de ter um prestígio que vale várias vezes mais que o de todos eles, ainda tem um histórico de amizade e coerência que dura há mais de trinta anos, sem nunca um falar mal do outro. 

Primeiro turno
Muita gente que tem o juízo no lugar e entende de política começa a conjecturar sobre a possibilidade de Dilma se eleita em primeiro turno. Vejo sintomas disto, mas prefiro não baixar a guarda. O PT está no terceiro mandato presidencial e todas as três vitórias foram em segundo turno. A vitória em primeiro turno seria um deslumbre para o PT, mas é hora de o partido ter o pé no chão. Sapato alto não permite jogar bem.