terça-feira, 22 de abril de 2014

Crise na campanha de Aécio Neves

Antonio Lassance do site Carta Maior mostra em belo artigo que a campanha de Aécio Neves atingiu um momento de pico de crise com o escândalo que desmoraliza a candidatura do tucano Pimenta da Veiga, no governo de Minas gerais, estado onde Aécio não só precisa estar muito bem para servir de vitrine para o Brasil, mas também onde ele precisa tirar milhões de votos de maioria que Dilma com certeza terá em outros estados. Pimenta da Veiga foi um dos pais das privatizações dos anos 1990 e um dos filhos diletos do governo FHC. É tucano por excelência, até uma capa de moralismo fruto desta imensa proteção que a mídia e a banda podre do Judiciário, lhe ajudavam a constituir-se como um bom produto de mídia, capaz de enganar os bestas.  Mas sua aura de santinho competentíssimo foi por água abaixo a partir do momento em que a Polícia Federal destrinchou a teia de relações montadas pelas empresas de Marcos Valério no “Mensalão tucano”, onde ele foi pego com a boca na botija, beneficiado com a bagatela de 300 mil contos de reis. A Federal ainda indiciou Pimenta por ligações consideradas mais que suspeitas com o esquema. Lassance lembra que, num gesto típico da arrogância e do sentimento de impunidade de demos e tucanos, Aécio e Pimenta cometeram o erro de levantar suspeitas sobre a ação da PF. Para tentar rebater o inquérito e confrontar a PF, o indiciado alegou que seus negócios com Marcos Valério eram lícitos. Como “prova”, afirmou que tudo havia sido declarado à Receita Federal.
A informação mostrou suas pernas curtas quando veio o desmentido, da própria PF, de que Pimenta só revelou seus negócios com as empresas que abasteciam o mensalão tucano depois de o esquema ter sido estourado pela CPI dos Correios. Após o escândalo, em 2005, Pimenta fez uma declaração retificadora, na qual apareceram, finalmente, R$ 300 mil. Grande ideia, só que, para a PF, o esquecimento e a retificação, feita só depois da CPI, são prova da tentativa de esconder o dinheiro. O risco é que o pré-candidato do PSDB de Minas, agora provável ex-pré-candidato, se transforme em réu em plena campanha. Mesmo se afastado da disputa, Pimenta da Veiga permanece como rescaldo. Uma bomba mineira que não tem como não explodir nacionalmente no colo de Aécio.

Ovo da serpente
Desde a última candidatura presidencial de José Serra, quando eclodiram por várias partes do País, as mais abjetas expressões nazi-fascistas que dissemos neste canto de página do perigo do que aquele candidato estava fazendo, no desespero de ganhar a qualquer custo, inclusive ao custo da consolidação da democracia, uma eleição que o povo não queria lhe dar. TFP, Opus Dei, organizações neonazistas mesmo, Bolsonaro com seu discurso estúpido e inválido, a pauta do aborto, o combate racista às cotas para ingresso nas universidades, a agressão sem limites ao Bolsa-Família e a discussão cretina sobre o casamento gay, quase tudo isto, com “justificativas de fundo religioso, como forma de desqualificar a candidata Dilma Rousseff que sempre se portou com muita dignidade.

Agora é Hitler
Agora é o próprio Hitler que aparece na praça... Em Itajaí-SC o povo amanheceu assustado anteontem, ao se deparar com cartazes homenageando o aniversário de Adolf Hitler, ocorrido naquele domingo sombrio (20/4). As peças trazem aassinatura de White Front, algo como “Frente Branca” e foram coladas em postes no Centro da Cidade. Nos cartazes, a imagem do líder nazista com a mensagem: “Heróis não morrem. Parabéns Führer”. A existência de um suposto grupo ou de simpatizantes do nazifascismo é algo novo e assustador para uma comunidade historicamente pacífica e plural. Mas é verdadeiro. E devemos isto ao estímulo às vozes das trevas dado pelas últimas campanhas do PSDB, um partido que se diz da Social Democracia. O mais está sendo feito na internet. A exacerbação do ódio de classes, do racismo, da homofobia, da discriminação em todos os sentidos, é o único argumento de campanha a respaldar bobagens e safadezas como a tentativa de instalar uma CPI contra a Petrobrás, porque ele conseguiu comprar uma empresa nos Estados Unidos em vez de ser vendida como queria a tucanalha.