segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Nem Dilma cai nem os protestos param

Lembro a piada de um fumante que dizia: “Deixar de fumar é muito fácil. Já deixei umas vinte vezes...”.  Quer dizer: Quem deixa alguma coisa por vinte vezes, nunca deixou de fato. Os golpistas partiram pra cima de Dilma para derrubá-la. E usaram várias frentes e continuam usando outras variadas formas de luta. Trata-se de uma ação desesperada de Aécio, a cada dia mais isolado, que sabe que não terá mais a oportunidade de ser o candidato tucano e que, se conseguir sê-lo não é páreo pra Lula em 2018. O discurso do presidente da CUT dizendo que os trabalhadores irão para as ruas, entrincheirados, de armas nas mãos para defender o governo, o discurso de Lula falando do “exército” do MST e a Marcha das Margaridas que mudou de marcha reivindicatória para ação de apoio ao governo, mais a UNE, mais os Sem Tetos, os artistas que falam indignados com essa palhaçada, os juristas, os apoios internacionais, tudo isso foi dando à direita a consciência de que não tem golpe sem resistência popular, sem derramamento de sangue e sem um desmantelamento da vida econômica, política e social do Brasil que pode durar alguns anos para voltar aos trilhos. Até alguns próceres do PSDB, como FHC e Alckmin puxaram o freio de mão e o dono da Rede Globo chamou senadores do PT para mandar o recado dizendo que não vai ter golpe. Os países árabes ainda lambem as feridas das suas “primaveras”. O custo de uma aventura dessas é muito alto e os seus protagonistas, com certeza serão engolidos pelo leviatã da convulsão e não terão vez no novo regime, como Carlos Lacerda que pensava correr para o abraço depois do golpe e o que encontrou foi um abraço de urso, ficando cassado e alijado do processo, tendo que ver o País fazer continência para generais presidentes por vinte longos e tenebrosos anos. Dilma não será derrubada. As Marchas murcham. A segunda foi metade da primeira, a terceira foi menos de metade da segunda. Diminui o número das cidades em protesto, diminui assustadoramente o número de manifestantes e diminui o ímpeto e o impacto. Os discursos são cada vez mais atabalhoados. A ação política foi carnavalizada. As marchas contra Dilma mais parecem micaretas de “outonos caindo secos” que “primaveras” políticas “onde as flores vencem os canhões”. Homens nus, mulheres fazendo topless almejando muito mais a subida ao pódio da revista Playboy que a queda de Dilma... Ninguém, porém, pode se enganar. A direitona, ao final do ato no domingo, mesmo diante do evidente fracasso foi pra cima: Caiado, Aluysio Nunes, Aécio e Paulinho da Força estavam brandindo seus discursos pró-impeachment. Mas era esperado, pois era esse o script. Atos, boatos sobre a queda de popularidade da presidenta e o reforço da ideia de impeachment nas ruas e no Congresso, tudo de acordo com Cunha, que já não mostra tanto as garras, mas que continua destilando veneno. Lava Jato, vazamentos, novas operações envolvendo petistas “próximos de Lula”, boatos nas quintas e manchetes na sexta em revistas semanais com repercussão nos jornais televisivos, declarações de “especialistas” de que a nossa economia está à beira do caos, vão continuar ininterruptamente, como que saídas de uma cornucópia. Não é mais o golpe, é a sangria de Dilma, para que o governo não se estabilize e consequentemente possa ser queimado o nome de Lula para deixar de ser o furacão que é hoje, nas urnas de 2018. Agora cabe ao PT e ao governo, irem pra cima. Fazer política. Mudar a medíocre articulação política do Planalto, mudar radicalmente a pífia política de comunicação, melhorar as relações internacionais, envolvendo o mundo democrático no acompanhamento dessa tentativa de retorno à ditadura no Brasil e manter os movimentos sociais acesos e prontos para ocuparem as trincheiras. Usar essas armas da política, é única forma de não precisar ir para as ruas com as armas nas mãos.

Frouxos
Aécio foi ao palanque em Belo Horizonte. Kim Kataguiri fez charminho para dar a impressão de que não é Aécio quem bancava direta ou indiretamente a festa. E ele subiu ao palanque de forma relâmpago nas manifestações de rua, cercado de seguranças, e logo deixando o chão para subir num carro "alegórico", de onde fez mais um dos seus discursos - vazios - repetitivos e hipócritas. É o que diz uma nota que circula na internet.

Fazendo cenas
Conforme a própria imprensa está divulgando, tão logo discursou, e já com a certeza de ter sido fotografado e filmado, visando aparecer na mídia e gerar imagens para o próximo programa eleitoral dos tucanos, Aécio deixou o local, onde permaneceu por menos de meia hora.

Boneco gigante
Um boneco inflável gigante com Lula em trajes de presidiário desfilou pelas ruas no ato de domingo passado. De muito mal gosto, mas um direito de quem protesta. Afinal de contas já protestamos com caixões de defunto simulando de que era de Sarney ou de Collor. O problema é que, além de carros de som e inúmeras outras despesas, o boneco custou doze mil reais e não se sabe quem pagou. Vai ficar sem explicação, como o custo e a propriedade do avião de Eduardo Cunha e a pasta de cocaína do helicóptero de Perrela que até hoje não tem dono.