terça-feira, 4 de agosto de 2015

Zé Dirceu acorrentado

Há homens e mulheres a quem não basta matar, quando precisam destruí-lo. É preciso ir mais longe, porque a sua morte tem que servir de exemplo, dentro de uma lógica terrorista de exemplar pelo medo, que é a tortura em sua forma psicológica. Gramsci preso ainda era pouco para Mussolini, que dizia que “tinham que fazer aquela cabeça parar de pensar”. O jogo das várias mortes, foi o que fizeram com Tiradentes. Depois da prisão a morte, depois da morte, o esquartejamento, depois a exposição dos pedaços nas cabeças dos postes entre Rio de Janeiro e Vila Rica, depois do esquartejamento a salga da casa onde morou e a maldição de quatro gerações de seus descendentes. Um século se passou até que alguém tivesse a coragem de dizer que era descendente do alferes maldito. A Cristo não bastaria a prisão. Tinha que vir também a execração pública por toda a via sacra que foi feita em via pública, a pena de morte por crucificação e 400 anos de perseguição a quem pronunciasse seu nome. A Zumbi, além do suicídio, forjado ou forçado, seguiu-se a necessidade de transformar seu nome em sinônimo de assombração... Prometeu, “aquele que pensava antes” roubou o fogo do Olimpo e o deu aos homens. Além da inteligência e o conhecimento, o homem ganhou com o fogo, o sonho de liberdade. Depois, num gesto brincalhão, Prometeu deixou, de um animal caçado para o banquete de Zeus, apenas os ossos e este revoltou-se e tomou o fogo dos homens porque tinha sido dado por Prometeu. E o fogo saiu de novo do Olimpo pelas mãos do mesmo Prometeu, em forma de uma brasa dentro de um tronco de pau e de novo foi dado aos homens. Zeus não mais o tomou dos homens, mas mandou o ferreiro Hefaistos fabricar uma corrente de ferro indestrutível para prender Prometeu no alto de uma montanha para as bandas do Cáucaso, na Rússia, portanto, distante do Olimpo, que fica na Grécia. Lá, além de preso, Prometeu ficaria com as vísceras expostas a uma águia que as comeria constantemente até acabar e a cada vez que se acabasse, novas vísceras se formariam para que a águia as comesse de novo, ininterruptamente, por todo o sempre. Assim está José Dirceu. Em prisão domiciliar, usando tornozeleira, uma “corrente eletrônica”. Distante, muito distante do Planalto, o Olimpo brasileiro, portanto, sem condições de oferecer qualquer tipo de resistência a qualquer tipo de investigação e sem oferecer qualquer tipo de ameaça a qualquer tipo de testemunha, depoente ou delator que contra ele erga a voz, independentemente de ter provas ou de ser mandado por alguém ou de ter o domínio do fato ou do argumento. O que fez Dirceu? Como nada resta provado nos autos, nem mesmo nas 70 mil páginas do Mensalão, não nos foi dado o direito de saber o real crime do condenado. Mas aí está ele, preso e “represo”, exposto a ter as vísceras comidas publicamente por uma águia, quanta simbologia. Uma águia... Quem sabe? A águia do Norte que quer o Pré-Sal a qualquer custo. Outra grande simbologia é que o fogo que Prometeu levou aos homens, é interpretado como sendo o saber, a informação. E que Zeus o odiou porque entendia que a informação era propriedade privada dele. E só dele. Qualquer semelhança com a Rede Globo, não é mera coincidência. Prometeu ficou acorrentado até que apareceu Hércules e o libertou. Zé Dirceu está acorrentado, distante do Olimpo e suas vísceras sendo comidas ininterruptamente. Até quando? E quem será o Hércules a libertá-lo. Talvez o próprio povo. Como? Não sei. Só sei que quando o povo acorda é “novo, alegre e cheio de paixão”

Mais Médicos
São dois anos do Programa Mais Médicos, inicialmente tão contestado. Hoje ninguém mais questiona. Já são 18.240 novos médicos em comunidades pobres. Grande parte delas nunca tinha visto um médico. 4.058 municípios contemplados, 34 distritos indígenas, 134 milhões de brasileiros, dos quais 63 milhões nunca tinham tido assistência médica.

Democracia
Eduardo Cunha aproveita seus últimos momentos no poder para praticar maldades, destilar ódio, injetar veneno. Tirou o PT de quatro CPIs, será que conseguirá o seu intento, depois da tantas CPIs que iam acabar com o PT e não conseguiram. Vamos ver quem se acaba primeiro. Se o governo do PT ou a presidência de Cunha...

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Professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Romero Cardoso foi o vencedor do concurso de texto promovido pelo parque cultural "O Rei do Baião" em Cajazeiras (PB). Intitulado "Lembranças do Ídolo", o concurso homenageou o compositor e radialista Rosil Cavalcante, que completaria 100 anos de idade em dezembro deste ano. Rosil morreu em 1968, deixando mais de 100 composições que foram gravadas por cantores, como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês e outros. Segundo a coordenação do concurso, foram inscritos 77 trabalhos de autores com origem em vários estados brasileiros. Após a avaliação, a mesa julgadora elegeu a crônica “A ação implacável das secas em aquarela nordestina”, de Romero Cardoso, como a melhor.