quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Uma mídia que desinforma e deforma

A primeira leitura que precisa ser feita quando se pega um órgão da grande imprensa brasileira é sobre o que não se pode ler nas letras e frases daquilo que está escrito. O mesmo deve se atentar em relação ao que se vê na televisão e ao que se ouve na radiofonia. O que será mesmo que está por trás do que está escrito, do que é dito ou mostrado? A notícia brasileira que mais repercutiu mundo afora na semana passada foi a declaração do doleiro Alberto Youssef de que Aécio Neves, sistematicamente, recebeu propina do Esquema de Furnas e que o dinheiro era repassado através da sua irmã Andrea Neves, saindo pelas mãos de José Janene, compadre do doleiro de quem este era operador. Por mais parcial que seja a mídia, esperava-se, no mínimo, que saísse uma ou outra linha, um outro segundo de rádio ou TV, dizendo que Aécio merecia o benefício da dúvida, que não se podia fazer prejulgamento e que, para que isto ficasse garantido e também restasse garantido o interesse “tão elevado” da mídia brasileira no combate à corrupção, que a denúncia fosse investigada. Até porque simples referências de nomes pelo mesmo doleiro já levaram vários políticos e empresários brasileiros à cadeia, sem choro nem vela. O que se viu foi um silêncio sepulcral. Eliane Cantanhêde, que já se declarou feliz com a presença de uma certa “massa cheirosa” em convenção do PSDB, mostrou-se propositadamente desatenta. Esse eufemismo vai para dizer que, na verdade, ela é cretina e irresponsável como jornalista. Está a serviço do PSDB e dos seus aliados e vive única e exclusivamente para fazer militância política contra o PT na mídia mais suja que o céu já cobriu. Suja e golpista. Marisa Magalhães, tuiteira que segue Cantanhêde, reclamou:
Cantanhêde, cinicamente, respondeu que havia excesso de informações, como se em jornalismo de opinião a gente não tivesse o poder de escolher os pontos de pauta. “Quero falar sobre isso e não sobre aquilo”, como eu faço todo dia, já que sou tão parcial quanto Cantanhêde, mas o sou para defender o lado com que concordo e não o lado a quem esteja vendido como a maioria dos que escondem escândalos bilionários como o do metrô de São Paulo, o da Lista de Furnas, o do HSBC e o dos órgãos de imprensa de Aécio, além do helicóptero de Perrela, do aeroporto do tio de Aécio e do avião de Eduardo Campos. Veja a resposta cretina de Cantanhêde:
Mais duro é saber que no outro dia não saiu. Nem no outro, nem outro e até hoje Marisa espera, como quem espera Godot. Ficará para as calendas gregas... Eliane Cantanhêde, que não esconde suas relações carnais com os tucanos de alta plumagem, não foi o único vexame da mídia nesse caso. No geral, diante do depoimento do mafioso Alberto Youssef, a velha imprensa adotou uma postura vergonhosa. O Jornal Nacional, da TV Globo, simplesmente não mencionou o nome de Aécio Neves e de Sérgio Guerra, o falecido presidente nacional do PSDB. Já o site UOL postou uma notícia com os dois nomes e, logo na sequência, mudou o título da matéria. No geral, os outros veículos seguiram a mesma linha editorial, blindando os dois chefetes tucanos.

Filas de bancos
Anteontem, em Campina Grande (PB), aconteceu algo que não tem perigo de se ver em Mossoró. Quatro agências bancárias foram autuadas por ultrapassar o tempo limite de atendimento aos clientes e poderão ser multadas em até R$ 200 mil por terem descumprido o que determina a Lei da Fila. As autuações foram realizadas pelo Procon municipal, que estabeleceu prazo de 10 dias para que as empresas apresentem defesa na tentativa de evitar a multa.

Filas de bancos II
A lei de Campina Grande determina que não se deixem pessoas esperando nas filas por mais de 35 minutos. No último dia 31, pessoas demoraram até uma hora e meia. A notificação aconteceu, e poderá resultar em multa pesada, se não tiver justificativa – e não terá, porque o motivo todos sabem: é a falta de estrutura de atendimento, visto que os bancos só pensam em lucro.

Filas de bancos III
Em Mossoró, não se verá isso jamais, pois a lei de autoria do vereador Antonio Mota que limitava em 30 minutos as filas em dias normais e 45 minutos em dias anteriores ou posteriores a finais de semana ou feriados foi simplesmente revogada por algum juiz, que atendeu o interesse dos bancos e prejudicou os direitos de milhares de cidadãos.