quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

“É preciso muito amor para suportar essa mulher”...

Kátia Abreu, presidente da CNA que se tornou senadora, foi convocada pela presidenta Dilma Rousseff para o Ministério da Agricultura, causando grande polêmica dentro do PT e dos movimentos sociais, com especialidade aqueles movimentos dedicados à luta dos trabalhadores e trabalhadoras rurais, comunidades indígenas e quilombolas. Grande parte dos petistas, inclusive este colunista, receberam como cabível o convite da presidenta para a senadora direitista, visto que o governo não é puro sangue; é de coalização e precisa amainar os conflitos de classe naturais num governo em eterna disputa, especialmente quando se está num quarto mandato de um mesmo partido e se saindo de um pleito que foi duro, com vitória conseguida com estreita margem de maioria nas urnas. Ainda temos, no Brasil, a especificidade de termos dois ministérios para cuidar da produção rural, sendo o Ministério da Agricultura ocupado por Kátia Abreu, responsável pelo chamado agronegócio, onde se dá a grande produção nas grandes áreas de plantio e criação, com pacote tecnológico de ponta e nem sempre respeitando o meio ambiente, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Agrário cuida da agricultura familiar e da reforma agrária. Por sinal, muito bem entregue a Patrus Ananias, o homem que implantou no Ministério do Desenvolvimento Social, o Bolsa-Família com amplo sucesso. Até aí tudo bem. O problema é Kátia Abreu. Além de ser representativa dos grandes produtores e de ser competente nessa representação, é boquirrota, é atrevida, doentemente ideológica, dessas que precisam provar a cada instante que é de direita e que é independente do PT, ou melhor, que por ter recebido o cargo não se vendeu ao partido que tanto combateu em passado recente e não se rendeu aos movimentos sociais com quem passou a vida inteira trombando. Assim começa a falar pelos cotovelos. De preferência, declarações que desagradem aos que fizeram com amor a história inteira do PT e a recente vitória da presidenta Dilma Rousseff. E haja elogiar o ex-presidente da UDR Ronaldo Caiado, homem identificado com o histórico de trabalho escravo no campo e com o assassinato de camponeses que lutavam pela reforma agrária, coisa que todos os países capitalistas desenvolvidos fizeram de alguma forma. E haja elogiar Gilmar Mendes, a mais execrável figura da direita brasileira, porque sendo homem da lei, trabalha contra a lei e faz questão de quebrar o princípio da isenção do Judiciário agindo como um militante da extrema direita e, acima de tudo, antiético no trato com os interesses da verdadeira justiça. E haja declarações idiotas de que os índios é que são culpados de estar na situação em que se encontram. Como se não bastasse, declarou, por fim, que não há latifúndio improdutivo no Brasil. Faz como Ahamadnejad, que, por ódio aos judeus, chegou a declarar que não teria havido o holocausto. Foi a pior e a mais ineficiente maneira de combater os judeus. Assim faz Kátia Abreu. Com declarações imbecis como essas, só consegue acirrar ainda mais os ânimos contra a injustiça social no campo brasileiro de tantos conflitos históricos, apesar dos seus discursos histéricos. É preciso muito amor ao PT, ao governo que precisa cada vez mais dar certo para poder garantir as conquistas conseguidas e a ampliação da pauta de ascensão social. É preciso querer demais que continue dando certo a eliminação da miséria, do analfabetismo, do desemprego, do atraso. Enfim, é preciso querer bem demais ao PT e ao Brasil para suportar uma mulher tão estúpida no governo que se construiu a duras penas, lutando contra isso tudo isso que ela defende.

Vexame
Gozação das boas. Dizem no Twitter que foi anunciada a fusão das revistas IstoÉ, Veja e Exame. Vem por aí a revista IstoÉ Vexame...

Refresco de...
Dizem que Bill Gates quer transformar fezes humanas em água potável. Deverá ser contratado pelo Governo de São Paulo para quando as águas de Cantareira voltarem ao nível do volume morto.

Quantos?
Em Mossoró, foram registrados 196 homicídios em 2014.  196. Faço aqui a mesma pergunta que fiz em 2013, em 2012, em 2011... Quantos assassinos estão presos? 196? 96? Ou apenas 6?

Críticas estúpidas
Ouvi algumas críticas ao governador Robinson Faria por ter vindo a Mossoró ver in loco alguns dos problemas desta cidade e região. Críticas estúpidas, diga-se de passagem, porque um governo com três dias úteis não poderia ter resolvido nada ainda. E porque o governador está certo em querer ver de perto para ter a solução de certo. Errados estiveram os governadores que abandonaram o hábito herdado de Aluízio Alves de visitar Mossoró e até instalar o governo com certa freqüência nesta, que ainda é a segunda cidade do Estado. Claro que Robinson nem poderia ter trazido, até porque não existe isso em governo, uma varinha de condição para ir tocando em cada equipamento do Estado e transformando-o em ouro. Mas a sua presença, pondo aqui a mão na massa, é animadora. Temos que parabenizar o governador por esta atitude. E acima de tudo, parabenizar Mossoró. Agora é esperar o tempo de maturação para que as coisas comecem a acontecer.