segunda-feira, 20 de julho de 2015

Morte em vida Severina

Previ neste canto de página, a “Morte Severina” de Eduardo Cunha. Lembrava com a expressão poética de João Cabral de Melo Neto, o pernambucano Severino Cavalcanti, um inexpressivo soba pernambucano que, por erros da articulação política do Planalto, chegou à Presidência da Câmara Federal e começou a dar trabalho ao ver Lula fragilizado com o estouro do escândalo do “mensalão”, passando até a sonhar com a cadeira que o povo deu ao líder petista. Cunha entrou no mesmo “8”. Com dinheiro de propina saindo, literalmente, pelo ladrão, depois de financiar 260 campanhas de deputados eleitos e de ter a sua própria eleição de presidente da casa, garantida por esta articulação e pela inabilidade de Mercadante, Rosseto e Pepe Vargas, começou a “se achar”, entendendo que mandava nos 260 patrocinados e que, por ser comandante deste “Exército de Brancaleone” teria a faca na garganta da presidenta da República. A queda do ministro da Educação, Cid Gomes, completou o que lhe faltava para se achar dotado de superpoderes. Esqueceu a lição de que só se pode “bater de frente com o soberano quando se tem a certeza de poder derrubá-lo”. Acho, porém que, como todo psicopata, achou que podia. Animou-se muito cedo, por não entender que a crise que Dilma enfrenta, é infinitamente menor que a mídia diz, porque a mídia é golpista e superdimensiona os efeitos das suas jogadas, praticando aquilo que o saudoso Nilo Santos chamava de “Jornalismo desejoso”. Por estar com o ego tão inflado, não entendeu que no sistema político brasileiro não há líder forte no parlamento que não tenha acesso de despachante com o Executivo. O parlamentar, com raras exceções tem uma forte tendência ao governismo, pois é nas secretarias e ministérios que ele consegue o que seus eleitores querem. Daí porque, um prefeito ou governador por mais fraco que seja, constrói com  muita facilidade uma maioria do parlamento. Por isso Cunha precisa manter o discurso do impeachment vivo. Sem isso, já não tinha tanta coisa a oferecer para a sua base parlamentar. Mas agora que se tornou um investigado, sua base sabe que ele não tem condição alguma de levar esse processo em frente. E muito menos de ser alguém para forçar o governo a fazer o que quer que seja. O resultado de tudo isso é que Cunha já foi avisado por seus aliados que vai ter de sair de fininho. Que tem direito de espernear, mas não poderá contar com ninguém para solidarizar-se com um romântico abraço de afogados. Como disse o grande articulista Renato Rovai: Esse discurso de que vai explodir o governo é conversa para boi dormir.

Robinson e PT
Apesar de ter alguns insanos mal agradecidos cutucando nos seus ouvidos para abandonar o PT em 2016, o governador Robinson Faria tem se mantido correto na postura de reconhecer a importância do partido para sua candidatura, para sua campanha, para sua eleição e para o seu governo. Já foi peitado com o oferecimento de maravilhas, caso resolva deixar o PT falando só, mas tem se mostrado firme. Anteontem falou no programa radiofônico Panorama 95, em Natal, que a tendência é repetir a aliança vitoriosa com o PT nos municípios onde houver condições em 2016. Declarou sem meias palavras: “O PT é um aliado nosso, partido amigo, me ajuda a governar aqui e em Brasília, e não há porque ter outra opção, é logico que outros partidos estão caminhando para se unir ao nosso bloco. Política se faz agregando, mas jamais sem perder a coerência”.

Dimenstein
Além de Ricardo Rovai, outro grande jornalista brasileiro, Gilberto Dimenstein, este, por sinal nem um pouco simpático ao PT também escreve o epitáfio prévio de Eduardo Cunha: “Se fôssemos um país civilizado, apenas o que Eduardo Cunha fez ontem seria o suficiente para acabar com sua vida política: para se defender de uma acusação judicial, usa o cargo para retaliações, como se ele tivesse esse direito. Isso não é postura de chefe de um poder. Mas de chefe de gangue. E ainda existem irresponsáveis crônicos, como Paulinho da Força, por exemplo, que chamam isso de política. Para completar, o chefe de outro poder, Renan Calheiros, endossa a atitude. Sinceramente, nunca vi tantos irresponsáveis com tanto poder no Brasil.

Crise
Só se fala em crise. Às vezes tenho a impressão de que a seca vai se transformar num Tsunami e vamos ser arrastados por ondas de duzentos metros de altura. A realidade, entretanto, não bate com o alarmismo. No plano nacional, representante da empresa Oracle veio dos states e tapou a boca dos urubólogos dizendo que os números do faturamento da empresa não batem com os números tão falados da crise. Para as bandas de cá, a Extinchamas, empresa de Mossoró, recebeu na semana passada 800 extintores modernos, do tipo que o Detran exige. E eis que em apenas 48 horas o estoque esgotou.