quinta-feira, 19 de março de 2015

Botando o guizo no... Rato!

É evidente que quando Cid Gomes decidiu ir à Câmara Federal, já estava com a carta de pedido de demissão devidamente pronta e assinada. Como se diz no popular, a carta de demissão estava escutando a conversa... E a conversa foi animada. Ele disse o que os brasileiros, do governo e da oposição, queriam ouvir. Acho que Cid conseguiu representar ali a maioria dos manifestantes do dia 13 e dos do dia 15. Muitos falam que o Judiciário é hoje o poder mais corrupto do Brasil. Não discordo, mas não podemos deixar de lançar holofotes sobre o Poder Legislativo, Casa que faz as leis como se fazem as salsichas, ou seja, como no dizer do Marechal Bismarck, de um jeito que se o povo soubesse como são feitas... Como disse o Macaco Simão, da Folha de S.Paulo, Cid caiu porque disse verdades na casa dos mentirosos... Não ponho a mão no fogo pela honestidade de nenhum Ferreira Gomes, mas é inegável que Cid foi honestíssimo ao dizer que a Câmara Federal é habitat da desonestidade. Tanto da desonestidade política, ao criticar a base aliada de ser chantagista, como da desonestidade ética, ao dizer que a casa tem de 300 a 400 achacadores. E não me venham alegar que Cid também tem seus rabos de palha... O Brasil hoje vive de aplaudir delatores premiados. Ou seja, a Justiça brasileira atualmente só trabalha a partir das declarações de bandidos. Então, independente de quem seja Cid Gomes, o que ele disse precisa ser investigado. Pra que pedir-lhe a lista? Ora, um terço dos deputados ali presentes são processados no Supremo Tribunal Federal (STF), o que significa dizer que seus processos já tramitam há meses ou há anos, pois lá é o fim da carreira dos processos. Dos outros dois terços, pelo menos a metade, ou seja, o outro terço tem processos em outras instâncias e noutros tribunais. 70% deles receberam doações de campanhas, de dez empresas, a maioria delas investigadas pela Operação “Lava Jato”, cujos diretores se encontram presos por terem dado dinheiro a deputados e senadores, além de ocupantes de outros cargos políticos, tudo em troca de favores criminosos. E em muitos casos, propinas puras e simplesmente conseguidas a força de negociatas ou de achaques. Alguém, em sã consciência, acredita que Cid Gomes mentiu? Alguém, com o mínimo de dignidade na vida, acha que ele errou ao dizer aquilo que todos os brasileiros de boa-fé gostariam de estar ali para dizer? A mídia conivente cala diante da bandalheira. Há, por acaso, alguém que discorde que as emendas parlamentares são uma das maiores fontes de corrupção do País, pois a maioria dos parlamentares quando as distribuem já o fazem “casadinhos” com a empresa fornecedora ou prestadora de serviço, com sua gorda propina garantida. Cid foi à Câmara Federal, portanto, já demissionário, mas não deixou de dar o seu recado. O recado do próprio governo e do PT, ao PMDB, que quer a aprovação das emendas impositivas, o Ministério de Henrique e a blindagem de Renan e Eduardo Cunha. Cid foi perfeito ao chamá-lo de achacador. O único problema é que foi diplomático demais. Poderia ter sido bem mais contundente se tivesse tido espaço. Lula foi mais direto quando falou para o povão entender, chamando-os de picaretas em 1993. Cid merece aplausos, por ter ido à toca e lá, em plena assembleia, colocou o guizo no pescoço do RATO, o gabiru, a ratazana-mor, legítimo representante da maior quadrilha do mundo.

Poesia
Diante do que aconteceu anteontem na Câmara Federal, o ministro da Educação, Cid Gomes, falou algumas verdades que todos os brasileiros de boa vontade têm entaladas na garganta. Reforçou o que tinha dito numa universidade do Pará, sobre a presença de 300 a 400 achacadores na Câmara Federal. Não falou novidade alguma. Sequer criou a frase já estava dita por Lula em 1993. Lembremos a canção de Herbert Viana gravada em 1995: “Luís Inácio (300 Picaretas)/Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou/São trezentos picaretas com anel de doutor (3 vezes)/Eles ficaram ofendidos com a afirmação/Que reflete na verdade o sentimento da nação/É lobby, é conchavo, é propina e jeton;/Variações do mesmo tema sem sair do tom/Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei/Uma cidade que fabrica sua própria lei/Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia/Se essa palhaçada fosse na Cinelândia/Ia juntar muita gente pra pegar na saída/Pra fazer justiça uma vez na vida/Eu me vali deste discurso panfletário/Mas a minha burrice faz aniversário/Ao permitir que num país como o Brasil/Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado/Por um par de sapatos, um saco de farinha/A nossa imensa massa de iletrados/Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez/O congresso continua a serviço de vocês/Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão/Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição/Se eu fosse dizer nomes, a canção era pequena/João Alves, Genebaldo, Humberto Lucena/De exemplo em exemplo aprendemos a lição/Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão/De rádio FM e de televisão/Rádio FM e televisão/Luís Inácio falou, Luís Inácio avisou/São trezentos picaretas com anel de doutor.”

FotoLegenda
Olhe só o nível dos que querem moralizar o Brasil, agredindo com palavras de baixíssimo calão, uma mãe falecida e uma avó que, coincidentemente é também presidenta da República do Brasil. Dos que querem democratizar o Brasil por achar que em treze anos de democracia plena o PT implantou uma ditadura.