terça-feira, 10 de março de 2015

Recordar é viver: PT nunca defendeu impeachment de FHC

Esta matéria é de 1999. Uma prova concreta de como o PT não embarcou na ideia golpista de impeachment contra o mesmo FHC que agora incentiva por trás dos bastidores o movimento que irá às ruas no dia 15 de março e que faz panelaço taxando a presidenta Dilma de vagabunda. Voltemos um pouco no tempo e vejamos que o PT sabe ser governo porque soube ser oposição. Na hora certa foi às ruas pelo impeachment de Collor, mas não o foi pelo de FHC porque achou que não era cabível, como não é cabível agora contra Dilma: “Depois de mais de 24 horas de negociação e clima de confronto entre as tendências, os moderados do PT barraram a aprovação da proposta apresentada pelos radicais para que o partido adotasse o lema ‘Fora FHC’, que prega o impeachment do presidente Fernando Henrique. Foi a votação mais difícil para o campo majoritário do PT, formado pela corrente Articulação (de Luiz Inácio Lula da Silva e José Dirceu, presidente do partido) e pela Democracia Radical, tendência de José Genoino (SP), líder da legenda na Câmara. Isso porque, apesar de os moderados terem o apoio de 53% dos delegados, vários membros da própria Articulação eram favoráveis à aprovação do slogan. O texto aprovado, defendido em plenário por Dirceu, reconhece a legitimidade das entidades que defendem o lema, mas não o estabelece para o PT. Diz que o partido assume o compromisso de continuar na ofensiva ao governo, impulsionando movimentos populares, denunciando a corrupção, a dilapidação do patrimônio público e a quebra da soberania nacional para ‘derrotar’ FHC. Os moderados venceram a disputa por maioria numa votação em que os delegados levantaram seus crachás. A vitória só ocorreu porque os principais líderes da ala ‘light’, inclusive Lula, fizeram pressão para que os dissidentes da Articulação mudassem de posição. No plenário, os moderados acusaram os radicais de querer no poder Marco Maciel, o vice-presidente: ‘El, el, el, vocês querem Maciel’. Os radicais reagiram: "Ano, ano, ano, nunca vi tanto tucano". ‘Há companheiros que sobrevalorizaram o ‘Fora FHC’ e outros que subvalorizaram. Criou-se um acirramento desnecessário. Não é tirando FHC que combateremos o modelo econômico. Temos que eleger prefeitos e vereadores, levantar o alicerce da casa e concluí-la em 2002, ganhando as eleições’, disse Lula. Dirceu ameaçou até retirar sua candidatura à presidência do PT para convencer sua base. Lula discordou: ‘Eu fui presidente por 13 anos e tive que defender temas em que eu não acreditava’. Para Dirceu, os que defendem o lema querem só travar uma ‘luta interna’. ‘É uma mesquinharia política. Ninguém fez mais oposição a FHC do que eu.’ Líder dos radicais, o deputado Milton Temer (RJ) chamou os desafetos de incoerentes. ‘Já protocolamos pedido de impeachment do FHC e toda a bancada assinou. Por que então não fazer pressão política nas ruas? Isso não é um problema político, mas psicanalítico’."

Oposição coerente
Como se pode ver pela matéria acima, o PT não fez a oposição cega que se diz por aí. Tudo era muito analisado e debatido no partido. Quando uma ação partidária ia às ruas, tinha sustentação em argumentos sólidos.

Juízo
Parece que uma boa dose de juízo está começando a habitar as cabeças mais espiroquetadas de dias atrás. Renan e Eduardo Cunha assentam a poeira do discurso e se lembram de que não têm muita moral para botar o governo no canto da parede. Até porque o PMDB também é governo.  Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB) procurou o vice-presidente, Michel Temer, para tentar explicar suas declarações sobre a lista de Rodrigo Janot; presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também diz que, a partir de agora, tentará moderar o discurso: "Não vou deixar passar a ideia de que nós vamos arrebentar o País."

Juízo II
Até FHC veio a público dizer o que não diz nos bastidores. Declarou que não há motivo para impeachment de Dilma Rousseff. E acrescentou que “impeachment é como bomba atômica; é para ameaçar e não para usar”. Ou seja, assumiu a carapuça de que está usando este expediente, mas não quer ser responsabilizado por uma tragédia que um bando de abestados está se preparando para levar às ruas no dia 15 próximo.