sábado, 28 de março de 2015

É assim que começa

Osvaldo Russo é estatístico e conselheiro da Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA) e autor do livro Agenda Social - Enfrentando as desigualdades, Thesaurus Editora, 2014. Ex-presidente do Incra e ocupante de vários cargos importantes no Governo Federal e no Governo do Distrito Federal. Já esteve aqui conosco, durante a campanha de 2008. Ele escreveu um alerta a todos os brasileiros, há poucos dias quanto ao caráter nazista das manifestações de direita que descambaram para onde se poderia esperar mesmo, ou seja, para as características próprias do nazifascismo, como a violência física e a desqualificação dos adversários, além da vontade de destruir a democracia. Com o título “É assim que começa”, publicado na revista Fórum, o artigo de Osvaldo Russo diz: “Nesta semana, postei um aviso, que alguns acharam exagerado, de que a direita golpista não tem limites. Poderia prender e torturar novamente a Dilma, exilar e sumir com Lula e matar brasileiros. Pois bem... Após a histeria das manifestações de intolerância e golpismo, eles estão se assanhando por outros caminhos alternativos de ameaças e atos terroristas, como o cartaz contra o João Pedro Stedile (MST) e o atentado ao diretório municipal do PT em São Paulo. É preciso investigar com rigor e prender os golpistas. O Ministério da Justiça precisa agir”. Osvaldo Russo está coberto de razão, pois além do que ele falou neste artigo, tivemos a sede do PT de Jundiaí, queimada durante as manifestações do dia 15 de março. E as várias postagens de mensagens em forma de cartazes, de frases e de vídeos em que militares, ou seja, pessoas que devem respeito e obediência à autoridade presidencial se propunham a assassinar a presidenta Dilma Rousseff e até a sua família, que, ao que se sabe, é composta de um irmão que não se mete em política, uma filha e um netinho de dois ou três anos, ambos também totalmente fora das lides políticas. Imagine-se o grau de sandice destes terroristas assumidos que se dão ao desplante de gravar e postar até vídeos propondo isto, enquanto o nosso Ministério da Justiça e a própria Justiça não toma uma atitude na busca de fazer cumprir as leis do País. E os próprios superiores militares, caladinhos, deixando-me com a impressão de que estão gostando desta brincadeira com fogo... Os brasileiros do bem devem ler ao menos o trecho do poema “No caminho com Maiakovski”, do poeta paulista Eduardo Alves Costa, que vai ao final desta coluna.

Suposto
A Folha de S.Paulo cometeu sua maior canalhice jornalística depois de cunhar o verbete “Ditabranda” quando do seu ápice no uso da Novilíngua. Agora, ao falar de um ladrão primo do governador tucano Beto Richa, o chamou de “suposto primo”. Suposto ladrão, suposto corrupto, vá lá. Mas suposto primo, é demais, é demais...
 
Suposto II
Nesse caso, acho que a Folha está desconfiando da fidelidade da mulher do tio de Beto Richa, pois da forma como escreveu, deixa a impressão de que não há a certeza de que o priminho ladrão seja mesmo filho do tio de Beto... Doutra forma, não há como se falar de “suposto” primo.

Suposto III
Caberia um simples exame de DNA, como feito com o suposto filho de Fernando Henrique com uma jornalista da Globo, que passou anos escondido na Espanha, às expensas do nosso rico dinheirinho, para não gerar escândalo para o presidente blindado. Já ex, Fernando Henrique, ou quem quer que tenha sido, mandou fazer o teste do DNA no pimpolho e eis que o “filho” era suposto mesmo. O “bichim” não tinha outro pai. Como se diz por aí, “o gostoso”, pois FHC era apenas “o gastoso”, coisa que não teríamos nada a ver, caso a mesada europeia não fosse tirada de uma sangria da viúva... E aí, podemos falar, pois dói em nossos magros bolsos.

FotoLegenda
No Caminho com Maiakovski

“Na primeira noite eles se aproximam/e roubam uma flor/do nosso jardim./E não dizemos nada./Na segunda noite, já não se escondem:/pisam as flores,/matam nosso cão,/e não dizemos nada./Até que um dia,/o mais frágil deles/entra sozinho em nossa casa,/rouba-nos a luz, e,/conhecendo nosso medo,/arranca-nos a voz da garganta./E já não podemos dizer nada.”