sábado, 14 de março de 2015

O golpe está sepultado

Segundo site 247, as manifestações em defesa da democracia, do governo Dilma Rousseff, da Petrobras e a favor dos direitos trabalhistas, puxadas pela CUT, MST e UNE, movimentaram 24 Estados e o Distrito Federal na última sexta-feira, 13. As bandeiras e os adesivos com o nome da presidente eram frequentes e os discursos contra qualquer possibilidade de golpe e de um impeachment dominaram todos os atos. Em São Paulo, onde ocorreu a maior movimentação, mais de 40 mil pessoas foram às ruas, segundo dados do Datafolha. A grande adesão aos atos da última sexta surpreendeu até o governo, que temia conflitos com grupos contrários a Dilma, mas todas as manifestações foram pacíficas. Mesmo que a marcha deste domingo, 15, capitaneada pela oposição seja bem-sucedida, os atos deste 13 de março revelam que o governo da presidente Dilma tem um forte bloco de apoio e que qualquer iniciativa golpista será rechaçada nas ruas. Em outras palavras, é possível dizer que o golpe morreu. Hoje quem irá às ruas é a oposição. Mas vai tímida. Vai consciente de que o seu discurso de que “o povo brasileiro” quer a derrubada de Dilma, é uma mentira deslavada, pois, assim como os manifestantes de ontem não representam todos os brasileiros, os de amanhã também não representarão. A ilegitimidade é tanta que não se fala em entidades não governamentais nem nas siglas partidárias, tampouco em movimentos sociais que estão articulando e financiando o ato de amanhã. O discurso muda a cada hora. Vai do pedido patético de intervenção militar, à defesa da entrega da Petrobrás, com Pré-Sal incluso, para os americanos, tendo pelo meio um discurso de ilegitimidade da eleição que manteve Dilma no Palácio do Planalto, até a defesa de impeachment, mesmo que nenhum passo tenha sido dado neste sentido. O que quer dizer que o pedido é uma farsa para enganar os incautos que estão sendo convidados para servirem de “Marias-vão-com-as-outras”. O PT e o governo contabilizam entre tantos saldos do movimento de ontem, a certeza de que o recado foi dado: Não haverá impeachment, porque a tentativa é ilegítima e, portanto, se torna golpista. E que, se isto for tentado, o Brasil verá suas ruas se encherem de vermelho para defender a vitória que se conquistou nas urnas, na Justiça e nas ruas. Quem falar em “Fora Dilma”, a partir de ontem, sabe que está defendendo o indefensável, ou seja, o golpe. Por sinal, 15 de março tem uma simbologia muito expressiva. É a data em que se comemoram as posses dos gorilas de plantão: Costa e Silva, Geisel e Figueiredo.

Virada paulista
Excelente artigo do excelente Saul Leblon mostra alguns detalhes que não podemos descartar como fatores de análise do quadro que se desenhou a partir do mar vermelho de anteontem. Vejamos: As mobilizações desta sexta-feira mostraram que o PT deve perder o medo das ruas. Mais que perder o medo. Apostar nelas.

Surpresa geral
A manifestação robusta que irrompeu no coração do conservadorismo brasileiro surpreendeu o mundo político, surpreendeu a mídia conservadora, surpreendeu os sindicalistas, surpreendeu um PT, de lideranças graúdas inexplicavelmente ausentes, e certamente surpreendeu também o golpismo, assim como não era esperada tampouco pelo governo.

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Alguns, os mais entusiasmados, falavam em 100 mil pessoas lavadas pelas das águas de março na descida da Consolação, rumo à Praça da República. Que tenham sido 50 mil. Ou, por baixo, os 41 mil do Datafolha. A verdade é que depois do aguaceiro humano e político desta improvável sexta-feira 13, o Brasil não é o mesmo. E o Brasil não é o mesmo porque em São Paulo a rua não é mais da direita. Nem mesmo a Rua Direita.