segunda-feira, 16 de março de 2015

Mais democracia e menos corrupção

A concentração das imagens na Avenida Paulista durante cerca de uma hora em que fiquei em frente à TV me deram a certeza de que não se trata de um movimento pequeno. O governo Dilma e o PT devem levar em conta o que está acontecendo. Inclusive, ouvindo as críticas internas, que não são poucas e que exigem que o governo penda cada vez mais para a esquerda, pois a direita, já se viu que não tem como agradar. Ela quer  golpe, quer ditadura, quer sangue. Os ministros falaram em reforma política e combate à corrupção. Infelizmente, não contarão com os manifestantes de ontem, mas só dos da última sexta-feira, 13, contra a corrupção e pela reforma política que, se for feita de maneira correta, aprovando-se mudanças profundas, com certeza será um dos melhores caminhos para garrotear a sangria da corrupção que grassa e desgraça o País. Não contará porque há uma parcela dos manifestantes, parcela não tão grande, porém bem mais barulhenta e que por isso aparece mais, que não quer saber de democracia nem de ética. Quer ditadura e, como se sabe, em ditadura não há controle para a corrupção nem para ética, porque não existe liberdade de fiscalizar nem de denunciar, muito menos para julgar e condenar corruptos sentados no trono do poder absoluto. Como dizia Lord Acton: “O poder tende a corromper. E o poder absoluto corrompe absolutamente”. Não se viu um cartaz pedindo punição aos corruptos da Lista de Furnas, onde está Aécio Neves, nem a Operação Judas que pegou Zé Agripino, tampouco para os corruptos do Tremsalão, onde se encontram os tucanos que governam São Paulo e roubaram bilhões do metrô ao longo de 16 anos. Nenhuma frase sobre os 6.776 corruptos que esconderam bilhões e mais bilhões no HSBC na Suíça, com destaque para tucanos da época das privatizações de FHC. Inegavelmente, foi um grande movimento. Bem menor do que querem fazer parecer, mas sem sombra de dúvidas, um grande protesto. É bem verdade que é preciso entender o que tem por trás dele, quem o financia, o que moveu a maioria dos que ali estavam. Nada disto, porém, não desqualifica o movimento. O que o desqualifica é a seletividade da corrupção, como se aos tucanos e “demos” fosse dado constitucional e eticamente o direito de dilapidar os cofres públicos, é o pedido estúpido de intervenção militar e o pedido de impeachment que nem Ayres Brito, o ex-ministro do STF, de extrema direita e antipetista empedernido teve a cara de pau de defender, fazendo um pronunciamento profundamente lúcido ontem no Bom Dia Brasil.

Vaias estrondosas
Saíram de suas casas, crentes que iriam ter seu dia de heróis. Jair Bolsonaro, o capitão da extrema direita, nazista raivoso, odioso, odiento, homofóbico, “negrofóbico”, “esquerdofóbico”, esperava ser carregado nos braços do povo, como “salvador da Pátria”. Tomou uma tremenda vaia. Paulinho da Força,  o Joaquim Silvério dos Reis do Movimento Sindical, esperava também ser ovacionado, glorificado, ornado com uma coroa de louros, porque é contra Dilma... Os dois foram estrondosamente vaiados. O que prova que nem todo mundo que ali estava é a favor da estupidez. Temos que reconhecer que também há inteligência fora da esquerda e que, mesmo os que querem tirar Dilma do trono, não querem políticos que são contra Dilma e o PT.

Da “zelite”, sim
Por mais que ontem, comentaristas de TV tenham tentado convencer de que o movimento anti-Dilma e anti-PT não é mais apenas da elite, a realidade mostra exatamente isto. Fiquei atento ontem pela manhã às imagens das manifestações em todas as cidades brasileiras que receberam cobertura da Rede Globo. Não vi negro em nenhum deles, não vi gente com cara de quem mora nas periferias, de quem iria pegar marmita ontem às cinco da manhã para ir labutar no chão da fábrica, ninguém ali tinha cara de “sem terra”, de “sem teto”, de desempregado. Já os panelaços que se deu quando os ministros falavam, foram todos em prédios, onde só mora classe média alta. Gente chique. Ao que parece nenhuma daquelas dondocas que batiam panelas, jamais sentiu quentura de boca de fogão no pé da barriga. Panelas sem amassaduras, coisa de gente que come em restaurante de luxo.

Pacífico, mas nem tanto
Outra falácia é a das marchas pacíficas. Foram presos manifestantes com rojões, houve confronto com a PM em Brasília, houve agressão a um idoso em um das marchas do Brasil e um casal que defendia o governo Dilma em Nova York foi agredido pelos manifestantes. Queimaram coletivos em BH e atearam fogo à sede do PT em Jundiaí, lembrando os nazistas que adoravam queimar, como o fizeram com livros, com judeus e com o Reichstag, sede do parlamento alemão.

FotoLegenda
 Não se esqueçam deste cartaz. Ele fala diretamente a algumas dezenas de milhares de “militontos” que foram às ruas no domingo passado, seja na Avenida Paulista, seja em Brasília, seja em Mossoró, exigindo ética e democracia.