quarta-feira, 20 de maio de 2015

A terceirização quer destruir a nossa vantagem trabalhista

O trabalhador brasileiro tem muitas desvantagens em relação aos trabalhadores dos países mais ricos, com especialidade dos europeus. Os patrões sempre reclamam do excesso de direitos dos trabalhadores. “Excesso” que nos oferecem pouquíssimas vantagens, pois mesmo com todas elas, nosso trabalhador ganha um terço ou quarto dos salários de um alemão, francês, americano, italiano ou mesmo espanhol, grego ou português. Para se ter uma ideia, o índice de empregos formais nestes países é menor que no Brasil. E quem manda o recado é ninguém que a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Dados divulgados nesta semana da OIT mostram que somente 26,4% dos trabalhadores no mundo têm contratos de trabalho permanentes. Isso quer dizer que 73,6% trabalham por conta própria (34,9% do total de trabalhadores sem contrato), têm contratos temporários (12,9%), são empregados mas sem nenhum contrato (12,3%), exercem trabalho familiar não remunerado (11,1%) ou são empregadores (2,4%). No Brasil, o percentual de trabalhadores formais, com contrato, é de 33,07%, um número maior que a média mundial. Aqui, o percentual de trabalhadores sem contrato permanente é de 66,93%, enquanto que a média dos países é de 73,6%, próxima a dos países de alta renda pesquisados, onde esta média é de 76,7%. Nos 12 anos de governo do PT o emprego e a formalização cresceram. Mas esses números deixam claro o risco do projeto de lei da terceirização aprovado na Câmara, de reverter esse quadro de formalização, particularmente numa fase de recessão e aumento do desemprego. Os países que participam do estudo da OIT correspondem a 84% dos empregos no mundo.

Curral eleitoral
O PSDB quer legalizar a instituição do “Curral eleitoral” que, a partir da redemocratização e, com especialidade depois de Lula, o Brasil vem superando. Transformar as eleições parlamentares em eleições majoritárias é instituir a compra de voto, o voto de cabresto, ou seja, trazer de volta do velho coronelismo que estava começando a morrer de fato, mesmo que de direito já tivesse morrido. 

Testando o curral
FHC defende a introdução de eleições majoritárias como teste nas eleições municipais, o que equivale a adotar o sistema de distritos, referindo-se à proposta do senador José Serra, aprovada no Senado em abril. “Vamos testar se, ao menos em nível local, é possível tentar outro sistema eleitoral. Se for tudo bem, ampliamos para outros níveis”, ele declarou ao jornal Financial Times. Eleição majoritária para cargos legislativos “em outros níveis”, estadual e nacional, é o “distritão”. 

Vanguarda do atraso
Nada pior para a democracia e melhor para o poder econômico que o distritão, o que coloca FHC na vanguarda do atraso e revela a falsa moralidade do discurso dos tucanos. Com o distritão e a manutenção, como defendem eles, do financiamento das empresas, os deputados serão nomeados pelo poder econômico. E os partidos deixarão, na prática, de existir. É esta a democracia que FHC quer para o Brasil?

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A Internet permite que muito mais gente, além das revistas, jornais e canais de TV, possam estar produzindo notícias e difundindo opiniões. Tem um lado ruim, porque qualquer idiota pode criar um blog e ficar falando besteira, mas por outro lado permite a verdade liberdade de opinião e informação. Muito estão se dedicando a comparar o que aconteceu nos governos tucanos com os problemas e soluções de hoje. Quanto aos aumentos de preços e outros problemas econômicos, a comparação que aqui reproduzimos mostra bem como os tucanos batem panelas não porque elas estejam vazias, mas porque vazios estão seus argumentos e suas cabeças...