sábado, 28 de junho de 2014

A você que tem menos de 25 anos

Você que tinha menos de 16 anos em 2002 e que, portanto, não votou na eleição em que Lula derrotou José Serra, corre um sério risco de ser enganado por uma minoria que se dava bem em dois tempos históricos onde uma minoria privilegiada se dava muito bem, enquanto a maioria absoluta dos brasileiros vivia no prejuízo econômico e na exclusão social. O principal adversário da presidenta Dilma Rousseff, o tucano Aécio Neves, que ainda não apresentou uma única proposta concreta que nos convença de que poderá fazer melhor que Lula e Dilma, é o representante legítimo deste passado governamental que não nos trouxe a recuperação dos estragos deixados pela ditadura militar que alguns enganadores e enganados continuam exibindo como possibilidade de fazer melhor que hoje. Você que tem menos de 25 anos precisa saber que voltar ao passado, como apregoam por aí, é voltar aos tempos de Fernando Henrique Cardoso, Itamar, José Sarney e Fernando Collor de Melo. E não vale o argumento que tudo se iguala porque Sarney e Collor hoje apoiam o governo. Eles apoiam, sim, mas seus governos foram totalmente diferentes dos governos Lula e Dilma. Você precisa saber que foi graças às lutas do PT, PC do B e outros partidos de esquerda que nos livramos das eleições indiretas, quando você não podia reclamar do governo sob pena de ir preso e na hora de mudar os governantes, você sequer podia votar, pois os presidentes, governadores e prefeitos de áreas de segurança nacional, além de um dos três senadores eram biônicos, ou seja, escolhidos por um colégio eleitoral, sem a participação do povo; Com Lula e Dilma você não teve o incômodo de ver as incômodas trocas de moedas. Devido à inflação que reinava sobre a economia brasileira, de vez em quando se cortavam três zeros e mil cruzeiros, cruzados ou o que fosse a moeda da época, viravam apenas um, unzinho “cruzeiro novo” ou “cruzado novo” e as mercadorias, quando sua mãe comprava fiado na bodega, não tinham sequer os preços anotados nas cadernetas porque no dia de pagar o preço já era outro. E não me venha dizer que foram os tucanos que fizeram o Plano Real, pois o presidente era Itamar Franco quando o plano foi bolado e o ministro da Fazenda era Rubens Ricúpero quando o Real foi oficialmente lançado. Com Sarney, tivemos a falta de carne e leite nas prateleiras. Para consegui-los, tínhamos que pagar ágio, pois tentaram manter artificialmente os preços congelados, consumo aumentou, como aumento agora de Lula para cá, mas não houve um crescimento correspondente na produção e consequentemente na oferta destes produtos básicos. Continuemos esta reflexão nas notas curtas:

Hiperinflação
Você, amigo, que tem menos de 25 anos, com certeza não se lembra do que seja hiperinflação, aquele absurdo de que já falamos quando dissemos que a moeda mudava de vez em quando com o corte de três zeros e com as mercadorias sendo anotadas na caderneta da bodega sem o preço do dia, porque mudava rápido demais.

Confisco
Você core o risco de se deixar enganar porque você não viu um presidente da República confiscando o dinheiro da poupança e das contas bancárias em geral, só deixando liberar cinquenta mil cruzados e, para soltar um pouco mais, só se provasse com documentos que o seu dinheiro a ser sacado seria destinado apagar folha de pessoal. Claro que a massa salarial brasileira ainda está abaixo dos nossos sonhos e direitos, mas você não vai querer voltar ao passado e conhecer a maldição do arrocho salarial. Basta falar do salário mínimo que ainda está longe do ideal, mas que já saiu do valor correspondente a uma cesta básica para a capacidade de compra de quatro delas, ou de 70 para 360 dólares.

Desemprego e juros
Você não via se deixar enganar, deixando um Brasil que tem o menor índice de desemprego do mundo e querer voltar aos tempos de FHC quando tínhamos a maior taxa de desempregados do mundo. Claro que você não gosta dos juros básicos de 11,5%, mas com certeza você não vai querer que volte aos 45% que tínhamos antes de Lula, pois isto tinha um efeito devastador nos juros de cartão de crédito, de prestações do pouco que você conseguia comprar a prazo e acima de tudo nos empréstimos bancários e nos cheques especiais de onde você quase nunca conseguia sair depois que entrava.

E o apagão
Sem contar com a loucura que foi o apagão, período do racionamento de energia em que tínhamos que viver pagando lâmpadas e ainda por cima, parando máquinas nas indústrias porque a energia poderia falar de vez. Até as decorações natalinas foram proibidas ou limitadas naqueles tempos.

Privatizações
E olha que nem falamos das privatizações. Do tempo em que 80 empresas estatais foram vendidas por mais de cem bilhões de dólares e a dinheirama apurada, mesmo com os baixos preços alcançados, ninguém sabe, ninguém viu.

E tem muito mais
Este quadro aqui apresentado é uma pequena lembrança de um tempo não muito distante que poucos defendem. Somente os poucos que se davam bem naquele tempo em que a desgraça de muitos fazia a felicidade de poucos. A eleição está aí, bem pertinho. A grande mídia está comprometida com a volta ao passado. Tempos em que os muitos milhões da propaganda do Governo Federal iam para cerca de quatrocentos órgãos de imprensa, com mais de 80% ficando somente para meia dúzia deles, tipo Globo, Veja, Folha de São Paulo, Estadão e assemelhados e que estão muito revoltados porque desde Lula, quase oito mil veículos de comunicação estão transmitindo a publicidade oficial e faturando democrática e honestamente o recurso que faz manter no ar emissoras de cidades pequenas e de porte médio.