segunda-feira, 23 de junho de 2014

Para gringo ver: o fim do mundo não veio

Os depoimentos constantes e animados dos gringos que vieram ver a Copa das Copas no Brasil são de tapar a boca dos coxinhas vira-latas que fizeram todo tipo de aposta no caos da copa para mostrar, como disse o irresponsável Arnaldo Jabor, “mostrar toda a nossa incompetência”. E, claro, são de tirar o fôlego dos que amam o Brasil e torciam desde o início que a Copa desse certo, como vem dando. É o caso deste colunista que nunca se ligou em futebol, mas que costuma brincar dizendo que só torce por dois times, a seleção brasileira e a seleção de Santo Antonio do Salto da Onça, minha terrinha natal. Pois bem... O jornalista Nelson Sá descreve esta realidade de repercussão positivíssima no exterior:  Sob o título "Previsão de dia do juízo final dá lugar a soluços menores", o "New York Times" examinou a infraestrutura na Copa. Abriu listando profecias não realizadas: "Um estádio não ficaria pronto a tempo. Outro não ficaria pronto nunca. Protestos suplantariam tudo". Disse que nem tudo está às mil maravilhas, mas lembrou que até uma semana antes os Jogos de Londres, em 2012, também eram "zona de capacetes de proteção". Citou, entre os soluços, "fios visíveis" na Arena Corinthians e "fogos de artifício" chilenos na Arena Pantanal. E foram chilenos também que invadiram o Maracanã. É o maior problema até aqui, disse o correspondente da Al Jazeera, Gabriel Elizondo, ironizando que "a segurança era da Fifa". A agência americana Associated Press acrescentou que a Fifa apelou à segurança brasileira.  Falhas menores – Quase uma semana e também o "Wall Street Journal" publicou seu diagnóstico. No título, "Só umas poucas falhas menores". Abrindo o texto, "o Brasil pode respirar aliviado".  Nada de caos – Também o "Guardian" fez balanço da Copa, mais focado nos "arrepios" trazidos pelos gols. Sublinhou que, "fora do futebol, as previsões de derretimento aéreo e caos logístico não se realizaram até agora".  Espírito de festa - Fechando os balanços, o "Telegraph" deu a longa análise "Copa do Mundo 2014: Jogadores e torcedores estão gerando um espírito de festa que a Fifa jamais será capaz de roubar". Lembra, porém, que "uma Copa não cura nada" em educação etc. Copa & inflação - Na direção contrária da oba-oba, a Reuters despachou que a "Copa põe a inflação do Brasil próxima do teto da meta". Os dados divulgados pelo IBGE, no entender da agência anglo-canadense, sugerem alta "no momento em que a Copa do Mundo eleva a demanda por passagens aéreas" e quartos de hotel. Esta, uma previsão erradíssima.  #occupyestelita - A boa vontade com o evento fez desaparecer o noticiário sobre os problemas. Uma exceção é o site da Al Jazeera, que informou como a polícia pernambucana "expulsou os manifestantes do movimento #ocupeestelita". Reproduz até um tuíte de ativista que tentou chamar a atenção do "NYT", sem sucesso: "@nytimes War in Recife, Brazil #occupyestelita".

Mãe Luíza
Não adianta esconder nem disfarçar. Os desabamentos e alagamentos em Natal, mais especificamente no Morro de Mãe Luíza são frutos de décadas de incompetência de prefeitos que não têm compromisso com os pobres que ali residem, mesmo que o morro seja hoje uma ilha de pobres rodeada, de ricos por todos os lados.

Mãe Luíza II
Não precisamos mais que dar uma olhadinha no Morro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, aquele do bondinho romântico, onde subimos quase a pique para chegar na Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), numa área de morro em que mansões, em vez de barracões de zinco, têm a cidade aos seus pés... E estas mansões, ao contrário dos barracões das favelas dominadas pelo tráfico não estão penduradas no morro, pelo contrário. Estão solidamente plantadas em cima de bases muito bem estruturadas. Exatamente por não serem de propriedade de pobretões infelizes. Até mesmo a segurança, ali, é um tranquilidade. O presidente Gonçalo Ferreira, da ABLC, deixa as portas da academia abertas e ninguém aparece para roubar nada.

Mãe Luíza III
Ali, vemos muros, verdadeiras muralhas de pedras arrimando morros e mansões, numa prova de que a engenharia pode resolver os problemas, quando a vontade política existe. E prova mais ainda, que a vontade política existe quando são os ricos que precisam do Estado. Ao contrário de quando são os pobres, o foco do benefício.

Mãe Luíza IV
Mãe Luíza, mesmo rodeada de ricos, é um bairro pobre. O que fizeram foi enganar os seus moradores deixando de chamar a comunidade de “morro”, passando a chamá-lo de “bairro”, como se fosse uma questão de nomenclatura, em vez de estrutura. O deputado governadorável, Henrique Eduardo Alves, de quem ainda não vi um só problema sem uma promessa de solução e ainda não vi um problema que ele tenha resolvido, foi o primeiro a se pronunciar. Depois o prefeito chegou não sei de onde para montar um gabinete de emergência. Esquecem Carlos Eduardo e o primo “rei da promessa”, que são os seus colegas de palanque que governam Natal há seis décadas, desde quando seu próprio pai, Agnelo Alves governou Natal e até que muito fez, mas que passou História não pela água, mas pelo fogo, ganhando a alcunha de “AgNERO” pela acusação, mesmo sem provas, de ter mandado queimar um mercado que queria remover.

Mãe Luíza V
De lá para cá, foram prefeitos Jorge Ivan Cascudo Rodrigues, um Rosado por afinidade, Marcos César Formiga, casado com uma tia de Rogério Marinho do PSDB, que apoia Henrique, Vauban Faria, um engenheiro, que devia entender do riscado, e que era tio de Vilma de Faria. Teve outro engenheiro, chamado José Agripino, exatamente aquele que tem a boca doce para criticar a incompetência dos outros, mas que não fez nada para que Mãe Luíza não sofresse hoje a tragédia que sobre o morro se abate, Teve outro engenheiro, por sinal sanitarista, o indefectível Aldo Tinoco, que derrotou Henrique, mas que hoje nem se sabe de que lado está. Quem sabe, talvez esteja com ele mesmo, pois Henrique não quer saber quem é nem de onde vem, só quer o apoio. Tivemos também Garibaldi Alves Filho, primeiro prefeito eleito pelo voto direto depois da ditadura. Primo de Carlos Eduardo e de Henrique. Também não mexeu uma palha para resolver Mãe Luíza. Em seguida Vilma de Faria, prefeita por dez anos que se limitou a ações assistencialistas sem pensar a infraestrutura de Mãe Luíza.

Mãe Luíza VI
Em resumo, o palanque de Henrique Eduardo não tem a menor moral para querer fazer campanha em cima da desgraça de Mãe Luíza, pois a tragédia dali é um script feito a muitas mãos em seis décadas, pela omissão e incompetência dessa gente.