terça-feira, 10 de junho de 2014

Infeliz do poder que não pode. Ou... Será que Ravengar desaprendeu?

Está chegando aí a convenção dos Demos, ou como eles se querem chamar, “democratas”. Rosalba, derrotada fragorosamente na reunião anterior, onde o senador José Agripino pintou e bordou, promete não cruzar os braços e já arregaçou as mangas com a clara disposição de ir à forra. Rosalba é governadora do Estado e tem uma caneta “esborrotando” de tinta. A maioria dos delegados é sensível aos apelos do poder, pois essa é uma tradição dos demos, não se tem como negar esta evidência. Carlos Augusto sempre foi muito generoso nas negociações com a pólvora do erário e conseguiu ao longo de três décadas, derreter muitos corações empedernidos. José Agripino não tem máquina governamental na mão. O casal Rosalba/Carlos Augusto tem. A sensação que nos invade é a de que a disputa só não será dura se Carlos Augusto não quiser usar seus “encantos” governamentais ou, se esqueceu seu jeito “Ravengar” de operar a máquina e cooptar políticos que não são muito dados a posturas rebeldes de fato, exceto a mania de “fazer beicinho” enquanto não conseguem o que querem, bem à base do tradicional, “quem não chora não mama”. A informação que vaza dos bastidores para a luz dá conta de que Carlos Augusto acordou e acordou “cheio de paixão”. Quer vingança contra o amigo de sempre que virou inimigo de ocasião. Quer sangue, quer lavar a honra da esposa governadora, quer, enfim, continuar na política, pois a derrota na convenção lhe dá um prazo de validade que talvez nem vá até o dia da posse do sucessor. Acaba a candidatura Rosalba e com ela acaba o governo Rosalba. Será sangrar em pé, oferta de fim de feira com cinquenta tons de cinza pintando-lhe um triste fim de carreira... Informações que também vazam dão conta de que a negociata entre José Agripino e Henrique é capaz de desmoralizar toda a biografia dissimulada do filho de Tarcísio Maia que sempre procurou sair-se como anel de ouro em tromba de porco, ou seja, chafurdando na lama, mas brilhando, com se limpo fosse. A desculpa de que precisa salvar o mandato de Felipe Maia não passa de mais uma balela agripinista. Rosalba garantiria a reeleição do filho, como tantas vezes garantiu a estrutura das muitas eleições do pai ingrato. Vamos aguardar os desdobramentos. O RN assistirá de camarote a este jogo de campeonato. Clima de Copa do Mundo nos campos da política. Quem viver verá quem dos dois, Carlos Augusto ou José Agripino, é bola cheia ou é bola murcha...

Fogo amigo
Sobre a posição de Marina contra a aliança do PSB com o PSDB em São Paulo, Eduardo Campos desabafou diante de empresários norte-americanos e seus parceiros nacionais: "Ela não está dizendo nada de novo... não acrescentou absolutamente nada... não tem novidade”.

Proposta irrecusável
Qual terá sido mesmo a proposta irrecusável que Henrique fez à família da deputada Gesane Marinho e que a fez deixar o vice-governador Robinson Faria, antigo aliado, para cair nos braços de Henrique e Wilma, com quem ela havia rompido para ficar com Robinson? Trata-se de um homem público, deputado há mais de quarenta anos, presidente da Câmara Federal e que disputa o Governo do Estado Rio Grande do Norte e uma deputada estadual que tem mandato público e que precisam tornar públicas as suas negociações, especialmente quando se trata de uma decisão tão forte como a de trair o seu próprio partido para apoiar um adversário. Teria sido algum benefício estruturante e superimportante, imprescindível mesmo para sua Canguaretama, quem sabe para a região Agreste toda, onde a deputada tem sua base, mas que é também a região do vice-governador Robinson Faria, a quem ela abandona. Teria sido algum emprego? Parece que não, pois a família da deputada está muito bem, obrigado. A mãe é prefeita, o irmão é vereador, o pai é quem manda em tudo...

Silêncio
Continuo sem entender o silêncio de José Agripino, Henrique, Garibaldi, Walter Alves e Rogério Marinho sobre a declaração de Rosalba, que disse que os adversários que a estavam abandonando nos últimos tempos não o fizeram por divergências, mas porque queriam roubar e ela não deixou... Mais estranho é o silêncio cúmplice da imprensa e do Ministério Público. Como é que uma declaração tão grave, de uma autoridade tão elevada, não merece a mínima atenção da imprensa e do Ministério Público? Só se compara ao descaso com o avião dos Perrela, cheio de pasta de cocaína, que parece não ter dono...

Dom Mariano
Uma enorme honra encontrar dom Mariano Manzana, nosso bispo, durante a solenidade de posse do padre Guimarães Neto na Academia Mossoronse de letras. Melhor ainda ouvir do senhor bispo que é leitor assíduo desta humilde coluna. São leitores deste calibre, não pelo cargo, mas pela dignidade e inteligência, que nos animam a continuar esta luta diária com as palavras, mesmo lembrando os versos geniais de Drummond: “Lutar com palavras/ É a luta mais vã/ Entanto lutamos/ Mal rompe a manhã...”.