sábado, 25 de outubro de 2014

Onde Aécio se perdeu?

Euler de França Belém do Jornal Opção fez um dos artigos mais bem feitos que li nos últimos dias. Foi quando Dilma estava com apenas quatro pontos na frente de Aécio. Suas previsões vão se confirmando. Resta saber o que acontecerá hoje quando as urnas forem abertas. Vejamos alguns trechos:  Vamos à micropolítica, àquilo que não tem sido examinado com o devido cuidado, mas que talvez possa contribuir para o debate. A presidente Dilma Rousseff faz 67 anos em 14 de dezembro. É uma senhora, com dois ex-maridos, uma filha e um neto. Trata-se de uma mulher e política com imagem intocada de seriedade. Há corrupção em seu governo, como houve no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, até porque o PT apenas assenhorou-se, no poder, de uma base que havia sido construída pacientemente pelo tucanato ao longo de oito ou dez anos (contabilizado o período do presidente Itamar Franco, no qual FHC foi “primeiro-ministro”) e possivelmente houve no governo de Aécio Neves em Minas Gerais. Ocorre que, no caso de Dilma Rousseff, assim como no de FHC e Aécio Neves, fica-se com a impressão de que ela não conspurcou-se. Por mais que haja sujeira no governo petista, não  há nenhum indício de envolvimento pessoal da presidente. É provável que ela não combata a corrupção com veemência, dada a necessidade de garantir a governabilidade, parece óbvio que o PT “comprou” sua governabilidade, porque precisa de uma base política no Congresso nacional e, também, de uma base eleitoral nos Estados. Nos programas eleitorais e nos debates, Aécio Neves “bate”, com certa implacabilidade na presidente Dilma Rousseff. Chama-a de mentirosa, sugere que é ignorante. O eleitor está gostando da pancadaria? Há quem acredite que sim, que as pessoas gostam de ver os poderosos “apanhando” e “sangrando” em praça pública. Mas um jovem, bem-vestido, bem-nascido, bonito e saudável, dizer publicamente que uma senhora de quase 70 anos é mentirosa — uma mulher com histórico de seriedade — e que “não” sabe das coisas, quase uma analfabeta funcional, agrada mesmo os eleitores? Talvez Aécio Neves esteja pegando muito pesado. As críticas devem ser feitas, e podem ser duras na formulação, mas os eleitores podem estar entendendo que estão sendo feitas à mulher Dilma Rousseff, percebendo-as mais como ataques e, até, desrespeito. É provável que, indiretamente, as críticas de Aécio Neves estejam transformando a petista numa espécie de vítima. Vítima tanto do tucano quanto de aliados “malandros” do PMDB, do PP e do próprio PT. Dilma Rousseff também está batendo, e com crueza, mas mantém as aparências, por assim, diluindo, com habilidade, as críticas — envelopando-as com algumas ideias e propostas. A presidente faz a crítica direta parecer indireta, contextualizada, enquanto a crítica de Aécio Neves parece direta demais. Daí que a petista parece mais construtiva e o tucano mais destrutivo. Na verdade, os dois são construtivos e, ao mesmo tempo, destrutivos. Há outro aspecto sobre o qual os aecistas e seus marqueteiros deveriam repensar: por que Aécio Neves ri tanto? Não seria mais adequado, para um candidato a presidente da República, um pouco mais de sobriedade? Aécio Neves, que deixa a impressão de que está sempre debochando da adversária, é um político da linhagem de Tancredo Neves, seu avô, mas parece que está se esquecendo disso.

Quem combate a corrupção?
A Polícia Federal realizou durante os onze anos de Lula e Dilma, nada menos que 2.226 operações de investigação de corrupção no Brasil. Foram presos 24.881 corruptos e exonerados mais de quatro mil servidores públicos envolvidos com improbidade administrativa. Durante os oito nãos de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB de Aécio Neves, somente 48 operações da Polícia Federal foram feitas investigando corrupção.

Independência
Quanto à autonomia e independência da Polícia Federal para investigar nos dois governos, basta que se diga que no Governo Lula, até a residência do seu irmão Vavá foi invadida pela PF, enquanto que no governo FHC o diretor da PF era filiado ao PSDB.

Canal
A transposição de bacias do São Francisco foi projetada em 1853, no governo de Dom Pedro II. Aécio criticou o fato do Canal do São Francisco não estar pronto em sete anos de Lula e Dilma. O abestado esqueceu que em 163 anos de todos os governantes de elite, incluindo os oito de FHC/PSDB a obra sequer foi iniciada.

Toalha
Sente-se claramente que o comando da campanha de Henrique Eduardo Alves já jogou a toalha diante de todas as evidências de uma derrota acachapante.