segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Pesquisa Sensus privilegiou cidades aecistas

Facílimo de entender. Em Mossoró se costuma dizer que o bairro Santo Antonio é o mais rosalbista da cidade. Portanto, se uma pesquisa quiser beneficiar o rosalbismo, se proporcionalmente o Santo Antonio devesse ter 100 entrevistados, passa-se a aplicar duzentos entrevistados, tirando os outros cem de bairros onde o rosalbismo fosse menos forte. O rosalbismo aqui entre só como um exemplo técnico. Nas pesquisas do primeiro turno que se revelaram vergonhosamente furadas, Marina estava inflada. E nós denunciamos aqui, usando este mesmo raciocínio. Privilegiaram na aplicação dos questionários os estados onde Marina tinha se saído melhor em 2010 e os segmentos onde ela tinha mais aceitação, como jovens e evangélicos, por exemplo. Abertas as urnas restou provado que estávamos cobertos de razão. A entidade chamada “Olho Neles” foi à busca de informações precisas sobre a forma como a pesquisa Sensus-IstoÉ foi feita, ou seja, a sua metodologia. E assim provou que a pesquisa é uma tremenda fraude, tal qual aquelas que dava vantagem astronômica a Marina no primeiro turno. Pois é: Embora Dilma tenha vencido em 2 de cada 3 cidades brasileiras no primeiro turno, amostra escolheu municípios praticamente meio a meio. Depois de Ibope e Datafolha apontarem empate técnico entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) na disputa pelo segundo turno, com vantagem numérica para o tucano, pesquisa Sensus publicada pela revista “Isto É” no último dia 11 apontou uma vantagem de 17 pontos do tucano sobre a petista, animando a militância tucana e deixando apavorados os apoiadores da presidente Dilma Rousseff. Para tentar entender tamanha discrepância, o Olho Neles tentou analisar a base da pesquisa, com os únicos dados disponíveis no registro feito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): os municípios pesquisados. De acordo com as informações prestadas pelo instituto ao TSE, as entrevistas foram feitas em 136 municípios e a escolha das cidades a serem pesquisadas pode ajudar a explicar a divergência com os índices do Ibope e do Datafolha. O Olho Neles cruzou a votação dos municípios no primeiro turno com as cidades escolhidas pelo Sensus para sua pesquisa de segundo turno e chegou à conclusão de que, proporcionalmente, a base utilizada beneficiou cidades “aecistas”. Continuemos nas Notas Curtas:

De cabeça para baixo
No primeiro turno, Dilma venceu em 3.648 municípios, enquanto Aécio ficou à frente em 1.821 cidades, e Marina obteve melhor votação em 99 municípios. Ou seja: Dilma venceu em 65,51% dos municípios, enquanto Aécio venceu em 32,70% e, Marina, em 1,77%. No levantamento da Sensus, no entanto, das 136 cidades escolhidas, 66 deram vitória à presidente no primeiro turno, enquanto 61 deram vitória ao PSDB e 9 ao PSB. Portanto, na amostra do instituto, 48,52% das cidades foram “dilmistas” no primeiro turno, 44,85% foram aecistas e 6,61% preferiram Marina.

Invertendo em Minas
O caso fica nítido em Minas Gerais. No Estado, Dilma venceu em 640 cidades no primeiro turno, enquanto Aécio faturou em outras 213. Portanto, Dilma venceu em 75,02% das cidades, enquanto Aécio levou a melhor em 24,97%. O natural seria imaginar que a amostra, agora, contemplasse esse cenário. No entanto, entre as 15 cidades sorteadas pelo instituto para o levantamento do segundo turno, nove foram “aecistas” (60% do total) no primeiro turno, e apenas 6 foram “dilmistas” (40%).

Privilegiando o ninho tucano
Embora Minas tenha 853 municípios e São Paulo possua 565, foram ouvidos moradores de 15 cidades mineiras, e 23 cidades paulistas. Por lá, a vitória de Aécio foi bem maior. Os dados disponíveis não permitem saber a distribuição dos eleitores ouvidos em cada cidade, não sendo possível saber quantas pessoas foram entrevistadas em São Paulo (maior eleitorado do país) e quantos foram ouvidos em Minas (segundo maior colégio eleitoral). 

Fechando o firo
Só faltava dizer que o Instituto Sensus, pertence a Clésio Andrade, ex-vice-governador de Aécio Neves e que , de tão honesto está foragido da Justiça por condenação em processos por improbidade administrativa. Raciocine. Quem desvia milhões em dinheiro público, qual o prurido em desviar uns pontinhos, ainda que sejam uns quinze...