segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Pobres coitados, ricos de ódio

Fernando Brito, um dos melhores jornalistas deste País, a cada comentário se supera. Hoje eu teria milhares de assuntos para pautar. Mas prefiro fazer minhas as suas sábias palavras: Será que alguma hora, certas pessoas vão se dar conta ao papel ridículo a que estão sendo levadas? Será que é possível que uma pessoa que vive numa das mais belas paisagens do mundo, num bairro onde não falta nada – nem mesmo segurança, porque dentro das precariedades do Brasil e do Rio de Janeiro, ela ali é das melhores – que tem escolas, empregadas, babás para seus filhos, que vive num padrão semelhante aos das melhores cidades dos EUA ou a Europa, se digam oprimidas, reprimidas, perseguidas? Sinceramente, não lhes tenho ódio, nem quero que se vão embora daqui. Tenho amigos queridos que votaram no Aécio e não deixam de ser queridos e amigos por isso, até porque aceitam os resultados e a vontade da maioria, que não os oprime. Em plena ditadura, éramos muito mais fraternos… O colega mais “bem-de-vida” dos tempos de faculdade, o saudoso Robertão, tinha um sobrenome aristocrático, um Puma e um barraco no Morro do Salgueiro, devidamente decorado com um escudo do Botafogo, sua paixão… Vivemos tempos de intolerância, agora e é direito do povo brasileiro saber que sentimentos se está provocando em alguns grupos que perderam completamente a capacidade de olharem para si mesmos e se considerarem seres humanos especiais, enquanto o resto do país é desprezível. Nem eles sabem, mas é um transtorno mental assim que serve de incubadora do ovo da serpente do totalitarismo. Infelizmente, a direita brasileira deu ao nosso país milhares e milhares de pessoas assim, incapazes de ver nos pobres não as vítimas de um modelo econômico, mas os culpados por se pretenderem tão seres humanos e tão cidadãos quanto eles. Imaginem se os mais pobres os odiassem assim como eles odeiam? É verdade que estes núcleos sempre existiram, mas se multiplicaram e desde junho passado, foram legitimados para xingar, agredir e serem intolerantes. Isso faz mal ao convívio humano e a única forma de reduzi-los aos grupinhos que sempre foram é não lhes responder com mais ódio. O ódio é tratar o diferente como inimigo e acabar com a capacidade de convívio. Peço, portanto, que leiam sem ódio a reportagem de Lucas Vetorazzo, na Folha. Sem ódio e com a piedade que merecem seres humanos transtornados. É isso o que precisamos desfazer, embora não reste muita esperança de que gente que chegou a este ponto venha a retomar a razão com rapidez. As calçadas e os bares do Leblon já foram frequentados por gente, como o Tom Jobim, que amava a paz, o mundo, as pessoas. Terão virado terra de selvagens?

Mudanças???
Esses estúpidos que falam tantas loucuras preconceituosas e bestiais não queriam mudar nada. Pelo contrário. Queriam evitar que continue mudando.

Abominável
O blog do Barbosa, de Natal repudia as atitudes de dois políticos potiguares: Eleika Bezerra, vereadora natalense, que publicou no seu facebook, uma postagem pregando a divisão do Brasil, com toda a área onde Dilma obteve maioria como sendo a Nova Cuba e a outra parte, o Brasil, com Aécio presidente. Uma atitude ridícula, especialmente por partir de uma educadora, nordestina e representante do povo.

Abominável II
O outro é o senador José Agripino, o eterno quinta-coluna, que ainda como coordenador da campanha de Aécio já sinalizava apoio a Marina e que agora diz que Aécio ganhou no Brasil moderno, o Brasil que produz. Chamou o Nordeste de atrasado e improdutivo. O mesmo Nordeste onde fica a Paraíba e o RN onde os Maias tiveram diversas chances de governar e nos deixaram no “atraso”. Difícil manter o respeito por um senador que fala assim da região que representa. Vê-se que o rabo de palha subiu-lhe à cabeça...

FotoLegenda
Luiz Campos e Onésimo Maia, os dois maiores repentistas da história de Mossoró, estarão sendo homenageados hoje à noite numa programação literária do SESC/ Mossoró. Vale a pena conferir.