terça-feira, 23 de junho de 2015

Deixem o homem trabalhar

Ouvi ontem, em entrevista a Carlos Nascimento, no programa de Zé Mendes na Rádio Difusora (1.170kHz), o novo gerente da Caern de Mossoró, João Maria, fazendo um desabafo em relação ao ex-gerente que, segundo João, estaria boicotando seu trabalho. Não respondo por João Maria e mesmo o conhecendo, não gozo de intimidade com ele. Não sou seu advogado nem assino embaixo do que ele diz, mas afirmo que já estava informado sobre esta situação, inclusive com o detalhe de que teria mais gente sabotando o trabalho de João, além do ex-gerente. E gente de dentro da equipe, que deveria estar ajudando de mangas arregaçadas. Isso é um absurdo. Uma aberração política e administrativa. A Caern não é de João Maria nem dos seus sabotadores. A Caern é do Estado e está a serviço do povo e o fracasso de João seria o fracasso da empresa. E a materialização desde fracasso se expressa em forma de sede e de sofrimento da população de Mossoró e de toda a região, sem contar que implica também em queda de produção industrial. Essa briguinha vai além da mesquinharia política. Ela se transforma em crime, pois água é essencial à vida, à economia e à qualidade de vida. No jogo da política, num regime presidencialista onde os cargos são ocupados por indicados políticos, quem está de baixo tem que entender que é assim mesmo. Tive dificuldades com a ex-gestora da Fundação José Augusto quando assumi a direção geral do órgão. A então governadora Wilma de Faria autorizou o PT a indicar o novo gestor da cultura e o PT indicou-me. A ex-diretora não aceitou e ficou dificultando meu trabalho. Deixou o campo minado, com alguns e mulheres-bombas e o chão minado. Quatro anos depois, a cunhada dela ganhou o governo do Estado e a recolocou no cargo. Nunca critiquei a escolha, nunca boicotei sua gestão, nunca usei o imenso prestígio que granjeei junto aos servidores da instituição para dificultar o seu trabalho. Agora o PT chegou ao poder em aliança com o governador Robinson. Eu não coloquei meu nome à disposição, mas é petista o atual gestor. É o jogo da política, no regime que impera no Brasil. Portanto, João Maria foi uma indicação dos que estão compondo o poder atual no Rio Grande do Norte. Goste-se ou não de João Maria que, como eu, não é de levar desaforo para casa, é preciso respeitar seu trabalho. Se ele for incompetente, o tempo provará. E será rápido. Logo saberemos se seu trabalho “dará n’água” com o sentido da gíria ou dará em água, literalmente para dessedentar Mossoró e região. O fato é que o tempo de teste tem que lhe ser dado. João está abrindo o jogo, dizendo que há boicote e dando nomes aos bois, coisa que normalmente não se faz, pois no jogo da hipocrisia essas coisas acontecem e são dissimuladas e ficam prejudicando o desempenho da instituição, prejudicando o povo. Portanto, um apelo a quem quer que esteja boicotando o desempenho da Caern ou de qualquer outra instituição. O velho ditado popular: “Deixe o homem trabalhar”.

Brasil na mira
É muito difícil explicar por que tem um bombardeio tão pesado contra Dilma Rousseff, ainda por cima com um pedido de impeachment a lhe pesar na cabeça por mais descabido que isso seja política e juridicamente. É que o Brasil é um elo importante na corrente de aço que está se gestando historicamente com o grupo chamado Brics.

Brasil na mira II
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul estão compondo um bloco que já representa 31% do PIB mundial. O mesmo percentual dos países do G7 juntos: Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, França, Espanha e Canadá. Um salto gigantesco diante dos números de 1980, quando os Brics, ainda separados, representavam apenas 15% da riqueza mundial contra 51% dos países do G7.

Brasil na mira III
A previsão para 2020 é de que os Brics cheguem a 34% do PIB, ultrapassando o G7 que só deverá ter 29%. Além disso, cabe lembrar que a população dos Brics, é de 2,9 bilhões de habitantes, 42% da população mundial contendo aí 45% da força de trabalho do mundo, enquanto o G7 tem perto de 700 milhões de habitantes. Como mercado consumidor, o G7 é bem menor, mas tem uma renda per capita bem maior, porém os quase três bilhões de habitantes dos Brics podem representar um mercado consumidor cada vez maior, na medida que melhore a renda per capita da sua população, tornando-se uma potência autônoma que já vem tirando de letra as crises que atingem o mundo rico.

Brasil na mira IV
Além do mais, hoje é infinitamente mais simpático estar ligado aos Brics, que não trabalham com uma visão imperialista de exploração dos parceiros que do G7. O tempo dirá o que virá a ser a geopolítica nos próximos vinte anos. Mas o fato é que os Brics assustam os “donos do mundo”, especialmente porque está tomando atitudes muito inteligentes como a criação de um banco de desenvolvimento que não passa pelo crivo do Banco Mundial nem do FMI. Está tentando criar uma moeda comum e pode, aos poucos, absorver os países produtores de petróleo.

Brasil na mira V
No dia em que os Brics trabalhar com a visão de Lula, de que “os pobres não são um problema, mas sim uma solução”, o mundo virará pelo avesso. E será bem melhor, naquela visão de “Um outro mundo é possível”.