sexta-feira, 26 de junho de 2015

O cinismo da Folha e o Habeas Corpus que não era de Lula

Mark Twain, um dos primeiros grandes críticos da imprensa, observou o seguinte, mais de um século atrás. “Existem leis para proteger a liberdade da imprensa. Mas não existe nada decente para proteger as pessoas da imprensa.” No Brasil destes tempos, esta é, ainda, uma verdade doída e revoltante. Considere o caso do habeas corpus de Lula. O senador Caiado, que mente todos os dias em sua louca cavalgada antipetista, colocou no Twitter que já havia um HC na justiça pronto para a decretação da ordem de prisão contra Lula por Moro. (...) É um retrato da imprensa brasileira contemporânea: Lula não fala com ela, mas ela não para de falar em Lula, nunca com fatos, mas sempre com especulações inteiramente desfavoráveis. Você acredita mesmo que algum amigo de Lula passa para jornalistas da Folha, da Veja, da Globo confidências do ex-presidente? Ou se trata de inimigos interessados, como Caiado, em forjar um noticiário anti-Lula? Bem, depois veio o choque de realidade. O autor do HC é um sujeito que parece fazer disso – habeas corpus – um estranho hábito. Ele já fez 150, e sempre à revelia das pessoas que supostamente deseja proteger. Uma vez agiu em favor de Diogo Mainardi, então colunista da Veja, um pseudojornalista que ganhou sinistra notoriedade por ter sido precursor numa atividade que garante florescentes carreiras na imprensa: atacar sistematicamente Lula e o PT. Os brasileiros não sabiam, e a Folha não investigou o suficiente para informar, que qualquer pessoa pode impetrar um HC em nome de quem queira. (É apenas um sinal do funcionamento obtuso da justiça brasileira.) E então, conhecidos os fatos, a Folha fez o que sempre faz em situações como a do caso do HC de Lula: deu a correção num espaço ínfimo chamado “Erramos”. Na Dinamarca, onde a frase de Twain já não vigora há tempos graças aos avanços da sociedade, o jornal é obrigado a publicar a errata no mesmo espaço em que cometeu o erro. E com igual destaque. Isso leva os jornais a serem bem mais cuidadosos que a Folha na hora de publicar notícias. Algumas pessoas progressistas haviam saudado um editorial da Folha sobre Eduardo Cunha como um sinal de que o jornal estaria voltando a ser “plural”. Ri sozinho. Sabia que era o triunfo da esperança sobre a experiência. A Folha se enquadra numa frase de um outro grande crítico da imprensa, George Orwell. “A imprensa é controlada por um pequeno grupo de homens ricos aos quais interessa tratar de forma desonesta assuntos delicados.”

Novas perfurações
Tem me dado urticária ouvir e ler alguns colegas da gloriosa imprensa mossoroense e agregados tratando a Petrobras como uma empresa que “foi embora de Mossoró”. Fosse apenas ignorância e essa besteirada não causaria náuseas. O problema é que alguns deles falam assim por maldade, por estarem de cabeça na cruzada antipetista e antibrasileira que a grande mídia golpista assumiu desde priscas eras e agora recrudesceu. E eis que a Petrobras anuncia a perfuração de 70 novos poços na região. Pois bem. Parece que o mundo ainda não acabou nem um novo dilúvio universal está sendo anunciado...

Tiro no pé
Um político que se torna vítima sempre leva vantagem na conquista dos corações do povão que vota. Há muitos anos, Lula não mais é visto como vítima e no último ano, um cruzada de terrorismo midiático tem buscado pintá-lo como vilão. Satanizou o PT, o Governo petista e não tem medido esforços para introjetar nos corações ementas nacionais, um Lula fedendo a enxofre com tridente na mão, chifres e rabo.

Tiro no pé II
Agora, o sentimento de derrota tem levado essa direitalha ao desespero. Desespero por não ver a imagem de Lula se deteriorar, continuando a ser o maior líder nacional e ainda por cima considerado o melhor presidente da República da História do País. Agora quer prendê-lo como forma de desmoralizá-lo. Esquece que uma prisão de Lula geraria um clima de comoção nacional e desencadearia um tsunami de solidariedade internacional. Saído da cela, Lula não precisaria mais fazer campanha. Seria candidato vitorioso deitando numa rede...

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 Só para ilustrar o artigo que abre a coluna: