segunda-feira, 6 de abril de 2015

Anão? Ah... não

Quando Lula pôs a mão amiga no ombro de Mahmoud Ahmadinejad e pediu-lhe que nunca mais dissesse que não tinha havido o holocausto, a fera iraniana aquiesceu. Viu que Lula estava com a razão e que para ser contrário ao sionismo não precisava ser favorável ao nazismo. Por essa e por inúmeras outras, Lula ganhou a confiança do líder iraniano, como já tinha ganhado a de Barack Obama e, antes, a de George Bush, da rainha Elizabeth, bem como a confiança dos líderes das mais pobres nações africanas. Mas... Esse era o problema. Lula estava pintando no cenário “das quatro pruvença do mundo” como potencial líder planetário. Até prêmios estava ganhando, como estadista global. A linha dura americana não iria admitir isto. E fez Obama engolir o seu “This is the man”, que por aqui traduzido como “Lula é o cara”. Pouco tempo depois, Lula conversou com Ahmadinejad e conseguiu um acordo quanto ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e a não produção da bomba atômica. E conseguiu uma proposta de acordo que surgia como uma luz no fim do tumultuado túnel da diplomacia com o país que tinha ficado na escória da diplomacia das grandes potências, depois do Irãgate. A mídia brasileira, com seu contundente “complexo de vira-latas”, mais uma vez deitou diatribes contra Lula e a “desastrosa política externa do PT”. Como querer negócio com o Irã, peça chave do “Eixo do mal”? Obama parecera gostar, mas levou, dos seus falcões, uma tremenda chave de roda. Lula foi jogado no escanteio e sua proposta, no lixo. Mas não no lixo da História, pois como dizia o próprio Lula, não se pode desdenhar de uma nação de 70 milhões de almas e cinco mil anos de História. Cinco anos depois, semana passada, numa reunião em Lausanne, na Suíça, as seis maiores potências mundiais sentaram com as autoridades iranianas e firmaram um acordo para acabar com as sanções ao Irã e permitir que o país continuasse a enriquecer urânio, coisa que ele nunca parou de fazer, já tendo acumulado um estoque de dez toneladas. Da mídia tupiniquim, somente o versado Clovis Rossi se dignou a escrever sobre. Talvez porque os demais, com especialidade aqueles que criticaram tanto, não têm noção do que Lula propôs nem do que Obama agora assinou e considerou um acordo histórico. Rossi disse que o acordo proposto por Lula era muito melhor que o atual e o mundo teria tido cinco anos de saldo se tivesse aceitado a proposta brasileira. Obama, talvez por desencargo de consciência e não por mera coincidência, lançou o nome de Lula para secretário-geral da ONU... A mídia brasileira não ficou envergonhada, porque vergonha não tem. É pau mandado das agências judeu-americanas que dominam 80% das notícias que saem na imprensa do mundo capitalista todo. Quem deve ter ficado com cara de tacho é o funcionariozinho da diplomacia israelense que disse que o Brasil não passava de um anão diplomático.

Semana Santa sangrenta
Nunca. Eu, nem ninguém, em sã consciência, poderia esperar ouvir esta manchete. Mas Mossoró ouviu ontem: Semana Santa sangrenta. Mossoró e todas as regiões do Rio Grande do Norte e além fronteiras, onde quer que cheguem as ondas da Rádio Difusora, tiveram os ouvidos feridos pela força da manchete. Foi no programa de Zé Mendes, participação do repórter policial Zé Antônio.

Semana Santa sangrenta II
Quatro assassinatos, três tentativas de assassinato, diversos acidentes, 28 assaltos. Esta é a contabilidade sangrenta de uma semana santa, por mais que pareça a de uma guerra. Mas é uma guerra. Uma guerra que já não respeita princípios cristãos, sociais, familiares. Nada vale, nada conta. A reza na semana virou uma mentira para a maioria absoluta das pessoas, a ida à igreja uma mera tentativa de enganar a Deus, o vinho, bebida que Cristo sorveu, virou desculpa para se tomar porre. E porre de vinho não tem nada de católico. Porre é porre.

Semana Santa sangrenta III
A nossa sociedade vive o cenário descrito por Chico Buarque: Esse pileque homérico no mundo. E como dizia Gil: Olha lá... O corpo estendido no chão.
Voltando a Chico, que diz em “Cale-se”:
De que me serve ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra.
Outra realidade menos morta.
Tanta mentira.
Tanta força bruta.
E olhe bem que Chico Buarque não é de errar rima. E “outra” não rima com “bruta”. Ele usou uma palavra não aceita pela censura da ditadura militar, pois falava de uma sociedade diferente da nossa, uma sociedade que era execrada e ainda o é, mas onde, apesar de todas as suas falhas, a violência é bem menor e a vida é tratada com muito mais respeito.