sábado, 11 de abril de 2015

Eduardo Cunha: rolando o lero e levando vaia

Que pode nascer do ódio, se não o próprio ódio returbinado? Fala-se, com muita sapiência, que “quem planta ventos, colhe tempestades”, frase elaborada que lembra outra máxima com o mesmo sentido: “A semeadura é opcional, mas a colheita é obrigatória”. E é isso que está acontecendo com Eduardo Cunha. Um político com uma biografia eivada de fatos de corrupção, desde a Telerj e a sua condição Office-boy de PC Farias, na Era Collor. Colheu, é bem verdade, a presidência da Câmara Federal, uma situação privilegiadíssima de presidente de um dos três poderes da República e de “segundo vice-presidente da República”,  que se pode comprar a partir da compra de uma mandato de deputado federal e da compra de alguns colegas, sempre disponíveis no mercado da barganha política e de tantos outros suscetíveis às mais retrógradas e antidemocráticas bandeiras políticas. Uma análise por mais superficial que seja, levará à conclusão “clara, lógica, evidente, óbvia, intuitiva e ululante” de que, Eduardo Cunha, a alternativa criada pela banda podre direita para a presidência, em caso de um golpe que viesse a derrubar a dupla Dilma/Temer, está completamente bichada. É que ódio gera ódio e Cunha é isso. Sua ascensão incendiaria o País. Estribado no mais pernóstico dos reacionarismos, tornou-se símbolo de agressor dos Direitos Humanos em geral, homofobia em particular, corrupção desbragada, retrocesso trabalhista, aviltamento do papel do parlamento, fundamentalismo religioso oportunista e agressividade atrabiliária, como se viu na forte repressão aos trabalhadores que protestaram durante a votação da PEC da terceirização. O Brasil não tem mais idade histórica para se submeter a um golpe de Estado. Nossa democracia não é tão madura, mas já é um bebê que engatinha e balbucia. Já anda e grita. E esperneia. As consequências de “enfincar-se uma cunha” na nossa marcha democrática de trinta anos, a maior de toda a nossa História,  só poderão ser drásticas, não poderão trazer nada de bom, visto que hoje são milhões os brasileiros que já sentiram no céu da boca um gostinho do doce bom da democracia, da justiça social, da inclusão. E esse pouquinho que foi ingerido, sorvido, saboreado, foi o suficiente para que esses milhões de brasileiros contemplados não queiram abrir mão do que a luta lhes deu por direito. Chegou a hora, é o que parece, da materialização da frase do líder estudantil Honestino Guimarães, assassinado pela ditadura militar:  “Ainda que nos prendam, ainda que nos matem, mesmo assim voltaremos e seremos milhões”. Não tenho dúvida de que Eduardo Cunha continuará sendo vaiado ponde quer que vá, com esse lero de “Câmara Itinerante”, uma campanha pouco disfarçada para se tornar um nome lembrado para “salvar o Brasil” do “desastre petista”. Enquanto estiver só falando rolando o lero, a vaia cobrirá o seu “sambarilove”. Mas, se partir para a ação golpista, teremos Guerra Civil. Não abrigo a menor dúvida disso.

Renovação
Quando falamos em renovação na política, logo pensamos em jovens aboletados em mandatos eletivos, em cargos públicos. Betinho Segundo e Waltinho Alves votaram na PEC 4330, contra os direitos dos trabalhadores. Não bastasse a estultícia do voto em prol da terceirização e em favor da redução da maioridade penal, Waltinho Alves ainda se deu ao desplante de ser o organizador, em Natal, desta aberração que é a andança, ou, como diria Dorian Jorge Freira, a “bangolagem” de Eduardo Cunha, o Crápula, com essa pantomima de “Câmara Itinerante”.

Renovação II
Seu avô Garibaldi Alves, Pai, foi muito mais moderno ao propor a lei que dobra a pena dos maiores de idade que usarem menores na prática de crimes. Que pena.

Renovação III
Salvou-se Rafael Mota, de quem, para ser sincero, nunca esperei grande coisa. Este, ao menos honrou, na votação da PEC da terceirização, a memória do avô Clóvis Mota, líder trabalhista do passado.

Poesia
A canção “Quem Planta Colhe”, de Carlos Santorelli, representa muito bem as vaias que Eduardo Cunha está levando Brasil a fora: “Quem planta vento colhe tempestade/Quem planta ódio colhe rancor/Quem planta intriga colhe maldade/Quem planta o mal colhe o desamor/Se você semear o bem/Vai colher o bem também/Se você semear amor/Vai colher amor/Quem planta a guerra não colhe a paz/Quem planta ira colhe ingratidão/Quem planta areia colhe deserto/Quem planta mágoa colhe solidão/Quem planta inveja colhe egoísmo/Quem planta raios colhe trovão/Quem planta lágrimas colhe tristezas/Que traz a dor para o coração.”