terça-feira, 14 de abril de 2015

Como os líderes dos protestos estão enterrando seu próprio movimento

Rafael Bruza, em artigo muito oportuno, faz uma análise que nos deve servir para reflexão. Ao ler-lhe, senti-me como naquele momento histórico em que o PT era contra tudo e não dizia muito claramente a favor do que estava lutando, que outro Brasil pretendia construir e, no caso de tirar os poderosos da época dos tronos, o que faria, se neles subissem. Foi quando Lula criou o chamado “Governo Paralelo”, uma sofisticação típica dos países parlamentaristas onde a oposição tem que estar sempre preparada para assumir o governo em caso de queda de gabinete em que o governo perca a maioria no parlamento e a nova coalização mude completamente os atores governamentais. Ali o PT aprendeu muito, teve que estudar o que acontecia nos governos direitistas e formular novas propostas, não mais só de sonhos e de ideologia, mas de propostas palpáveis, exequíveis, o novo Brasil possível, portanto. Não é o que parece estar acontecendo com os movimentos organizados contra Dilma e seus líderes. Como bem perguntou Fernanda Torres: “Se Dilma quem vamos por no seu lugar?” Este é o grande problema. Esses rapazes que estão levando o povo para as ruas não estão preparados para ser governo. Muito menos o PSDB e o DEM, fracassados onde governam e carregando nas costas o peso da derrocada dos seus governos anteriores a Lula e Dilma, no plano nacional. E o PMDB? Partido que não tem proposta e que se apega a qualquer lado, conforme sopram os ventos do oportunismo, como o fez quando dos governos FHC e como vem fazendo com Lula e Dilma, sempre à troca de cargos e outras barganhas, sem pensar no Brasil nem por um minuto. Apesar da grande quantidade de pessoas nas ruas nesse domingo, admitamos que 25 mil pessoas ainda é sinal de grande força política, ficou claro que os protestos contra Dilma estão diminuindo e tendem a decair ainda mais. Bruza lembra a Espanha, onde os movimentos que foram às ruas, quando viram seus protestos esvaziando cuidaram de formular propostas concretas. Vejamos: “Trata-se de uma tendência normal nos movimentos que provém da Crise de Representatividade. O protesto espanhol dos Indignados de la Plaza del Sol, por exemplo, que também surgiu nessa crise política das democracias ocidentais, foi massivo no começo e caiu com o passar do tempo, até deixar totalmente as ruas. A diferença é que os principais organizadores dos protestos espanhóis souberam dar os passos seguintes e, no final das contas, chegaram a uma proposta que mudou o cenário político do país: o partido “Podemos”, um dos líderes nas pesquisas eleitorais no momento. O movimento espanhol realizou diversos debates abertos, coletou milhares de propostas, uniu cidadãos em torno de um projeto unificado e, dessa forma, conseguiu um respaldo popular que garantiu o posterior êxito do “Podemos”. Com isso, surgiu essa legenda política que já ameaça os dois principais partidos da Espanha, o governista conservador PP, e o oposicionista progressista PSOE. Mas os protestos brasileiros, encabeçados pelo “Movimento Brasil Livre”, o “Vem pra Rua”, entre outros, estão preocupados demais em criticar inflexivelmente e em exigir pautas que não serão atendidas no momento”. Pior que eles, somente os próprios líderes político-partidários, como é o caso de Aécio, conforme podemos ver na foto-legenda com os comentários que seus eleitores fizeram no Facebook.

Eduardo Galeano
Eduardo Galeano nos deixou. Mas a utopia continua viva. Caminharemos com ela: “A utopia está lá no horizonte. / Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. / Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. / Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. / Para que serve a utopia? / Serve para isso: Para isso eu não deixe e caminhar”.

Pesquisas
Todos os governantes vêm tendo, nesta quadra histórica, péssimos contatos com as pesquisas. Dilma, Robinson, Silveira. De Robinson só vi uma enquete feita por Jota Nobre na Rádio Difusora. Os números são ruis em todos os três casos. Dilma parece reagir bem e ao invés de brigar com os números tenta brigar com as dificuldades. E luta para reverter a tendência negativa, com uma paciência que dela ninguém esperava.

Pesquisas II
Robinson tem tempo. Dilma reage pelo caminho certo e vai recompondo sua base política e social. Já Silveira não tem o tempo de Robinson e precisa fazer o mesmo que Dilma depois que Lula entrou na luta de bastidores: Estabelecer um relacionamento de mais diálogo com a imprensa em geral, com o povão em geral e com as pessoas, em particular. Especialmente com as pessoas que querem o bem de Mossoró e do seu governo, mas não encontram canais de diálogo.