sábado, 4 de abril de 2015

Fernanda Torres: ‘Se Dilma não resistir, a quem estaremos entregues?’

Que tempos... Para dizer a verdade e repercutir, a atriz Fernanda Torres teve que ir à França. Parece os tempos em que Brizola para ser visto tinha que convocar entrevista coletiva com a imprensa internacional. Era o tempo da Ditadura Militar, quando a imprensa não podia dizer certas verdades. Agora é a ditadura da própria mídia que não aceita pautas que não sejam as suas. Vejamos Fernandinha: “Sou artista, burguesa, mas não defendo o impeachment de Dilma”. E arrematou: “caso ela saia, quem nos garantirá um futuro melhor?”, pergunta. A atriz, uma das mais destacadas humorista da sua geração, filha de Fernando Torres e Fernanda Montenegro, é uma exceção em seu meio. Não por pensar assim. Mas por defender seu ponto de vista. Claro que ela o fez na França – posto que no Brasil, a mídia corporativa a qual conhece, não lhe daria voz. Mas a mídia que ela desconhece fará por ela. Não pelo conteúdo do que disse – e com o qual concordamos. Mas pela sua coragem. E somos assim: essencialmente e elegantemente transgressores. No texto Fouché, ela traça um paralelo com a Revolução Francesa. “Sou artista e burguesa, mas não defendo o impeachment”, afirma. “Os franceses deceparam a cabeça de Luís 16, enfrentaram uma década de horror e acabaram nas mãos de um general que se autocoroou imperador. Quem nos garante um futuro melhor? Dilma está longe de ser Luís 16, mas a insatisfação popular, o isolamento, a corrupção, o revertério climático e a ruína de sua base partidária guardam paralelo com as desventuras que levaram o rei à guilhotina.” Ela alerta, ainda, para a onda antidemocrática que se forma no País. “A oposição estava lá, não há dúvida, e também uma direita saudosa da ditadura, cujo crescimento preocupa não apenas no Brasil”. E afirma que o maior adversário da presidente foi a propaganda usada na campanha eleitoral de 2014. “A campanha eleitoral que levou Dilma à reeleição é, hoje, seu maior inimigo. O feijão voando do prato dos menos favorecidos, a garantia de que não elevaria os juros e nem deixaria o trabalhador pagar pelo desajuste econômico vêm, agora, cobrar o preço da propaganda”, diz ela. “Existe, de fato, um erro de comunicação por parte do governo, mas ele não está no abandono da militância nas redes, como afirma estudo recente, mas, sim, no fato da reeleição ter obrigado o Planalto a adiar ajustes que deveriam ter sido feitos ao longo dos últimos anos.” Por fim, ela questiona: “Se Dilma não resistir a quem estaremos entregues?”

Quanto aos discursos
Fernandinha Torres foi quase perfeita. Em verdade, ninguém em sã consciência faria os ajustes necessários à economia em plena campanha. Para ser sincero, até mesmo agora, certas coisas, como aumento dos preços dos remédios parece fora do eixo. Não creio que seja isto que irá salvar a economia, mas acho que são essas pequenas coisas que aumentam, com força, o desgaste do governo.

Quanto aos discursos II
Faltou Fernandinha dizer que o discurso do adversário também tem muito a ver com o clima de desgaste que o governo Dilma sofre no momento. Discurso de ódio, discurso irracional, discurso preconceituoso, pé de guerra. Este discurso continua pelas gargantas sujas de Aécio Neves, o corrupto mor do Petrolão, da Lista de Furnas, do Aeroporto de Cláudio, das verbas gordas para as próprias emissoras de rádio, das vacinas em cavalos pagas pelo SUS, dos 3,4 bilhões da saúde... Pela boca podre de Mendoncinha, que de tão insignificante continua sem ninguém cascaviar seus podres pernambucanos, pela voz tonitruante de Álvaro Dias tão cheio de nós pelas costas, de Ronaldo Caiado, o sepulcro, de Agripino, o Judas do rabo de Palha. Da Rede Globo sonegadora, da Veja. Dilma continua, 24 horas por dia, sete dias da semana, debaixo de uma saraivada que vai além do tom de palanque. O que lhe atinge é uma campanha goebelliana de calúnia, injúria, difamação e até das ameaças de morte que só a impunidade pode permitir.

Irã
A antiga Pérsia de todas as glórias do passado não se rendeu à petulância dos americanos metidos a besta, que se querem xerifes do mundo. O Irã não dobrou a espinha às sanções e ameaças, continua disposto a enriquecer urânio para fins pacíficos. Ninguém pode lhe proibir o progresso, em nome de um terrorismo que não está na pauta. As potências se renderam, porque o Irã também tem seu jeito de ser potência.